Nem tudo é paraíso

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A irmã de fé Anela Ciervo frisava lá no Amor ao Próximo que estão enganados os que supõem que a vida terrena começa no berço e termina na sepultura. Nada mais do que isso. Outros supõem que o ente querido, ao desencarnar, virou uma estrelinha no céu… Na busca do aperfeiçoamento espiritual, vivemos muitas experiências terrenas. Algumas fracassadas, outras nem tanto. Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, assim é a lei maior que nos rege. O espírito André Luiz conta no livro “Nosso Lar” que nem tudo é paraíso para quem deixa o mundo físico.
A Ana de quem falo hoje é uma das muitas Anas que residem na Capital das Missões. Desconfio que ela ainda não tenha tido a oportunidade de ler “Nosso Lar”. Quando os nossos órgãos vitais entram em falência, voltamos ao mundo espiritual e continuamos mais vivos do que nunca. Num lugar de conforto ou numa região de padecimentos, como foi o caso de André Luiz. Tudo depende de nós mesmos, ninguém ganha o paraíso de graça. O espírito Lucius nos ensina que a vida sempre coloca à nossa disposição várias opções. A escolha é livre, mas uma vez feita a opção, cessa a nossa liberdade e somos forçados a colher as consequências. Por aqui mesmo ou na vida espiritual.
Mas, vamos ao impressionante depoimento da Ana:
– No sábado anterior ao último Natal, pelas duas horas da madrugada, dois amigos se divertiam em propriedade do meu extinto avô, no Entre-Ijuís. Nascido na Alemanha, meu avô fugiu da guerra e veio parar por aqui, onde casou e tiveram dois filhos, um dos quais meu pai. Um dos amigos, montado num cavalinho de pau, dirigiu-se ao banheiro, sendo então filmado pelo companheiro de folia. Instantes depois, quando conferiram o filme, os amigos ficaram estarrecidos, de cabelos em pé… No filme também aparece um homem de cabelo comprido, barba cerrada, sujo, franja crescida e um machucado no rosto. Embora a imagem não seja bem nítida, dá pra ver que o intruso na foto veste camisa azul, aberta, e os olhos são bem fundos e tristes. Se não fosse filmado ninguém iria acreditar no que estou contando.
A Ana acredita que o vulto seja mesmo do avô, que é visto num quadrado da janela de vidro do banheiro do sítio. Indagada sobre o comportamento do avô alemão quando andou por aqui, a Ana respondeu francamente:
– Ele não tratava bem as pessoas nos relacionamentos que teve, era um tanto estúpido. Era também muito apegado ao sítio. Meu pai sofreu essa influência negativa e também não é muito afetivo com os familiares. Meu pai era muito parecido com ele, em tudo, até no exagerado apego à terra. O avô, em instantes de fúria, falava em se enforcar. Meu pai, atualmente em idade avançada, às vezes também fala em se matar.
No final do diálogo eletrônico, a Ana se convenceu que o avô desencarnado está precisando muito das preces dos familiares que ainda não viajaram para o outro lado da vida. André Luiz lamentava muito que a viúva e os filhos não oravam por ele. Apenas uma paciente agradecida (ele fora médico na Terra) pedia ajuda da Misericórdia Divina em favor do médico amigo e atencioso que tivera. A gratidão repercute com muita força na vida espiritual.

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Alessandro Mello: “Quando possível, dê sempre alguma frase de consolo e esperança a quem sofre”.