No tempo do Galerno

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Em décadas passadas, o único clube dotado de piscina e espaços esportivos na cidade era o Galerno. Uma feliz iniciativa do Nestor Portela da Silva, que também tocava os negócios da Algodoeira, firma que, infelizmente, desapareceu do cenário industrial da cidade. O Percival era o zelador do clube aquático, mantinha a ordem com diplomacia e as instalações no clube, especialmente no verão, eram plenamente satisfatórias. O Percival ganhou o respeito da gurizada e a esposa dele, dona Leontina, recomendada como benzedeira. A juventude santo-angelense comparecia em massa nos finais de semana, para nadar, para jogar futebol, para namorar. Em todas as temporadas, o Galerno viveu momentos inesquecíveis, inclusive sediou concursos de rainha da beleza, das piscinas, seguidamente lembrados em fotos nas redes sociais, com exclamações de saudades. Hoje, o Galerno perdeu o charme de outros tempos.

Inumeráveis meninos e adolescentes aproveitaram bem os bons momentos do Galerno, num ambiente sadio, de pura esportividade. Uma época tranquila, ninguém sabia da existência de drogas na Capital das Missões. Como tantos guris, o amigo Newton Luís Medeiros Fabrício, então com nove anos, começou a comparecer devidamente fardado às instalações do Galerno. Traje completo. Queria um lugar no time, certamente animado pelo pai, apaixonado pelo Internacional.

Desde então o Newton Luís começou a ser trocado pelo apelido de Carbone, homenagem a um craque colorado, vindo de São Paulo, que atuava como meio campo. E para os santo-angelenses o atual desembargador Newton Luís ainda é chamado de Carbone, sem nenhuma contestação dele. Que até faz questão de colocar Carbone nas mensagens eletrônicas destinadas aos conterrâneos.
Mas o filho do tabelião Newton Furtado Fabrício e da dona Carmen Medeiros Fabrício, herdou a simplicidade dos pais, então moradores na rua Antunes Ribas, na frente da Escola Estadual Onofre Pires, atual residência do Eno Cortez, e outro dia o desembargador me contou a origem do apelido Carbone:

– Pelo que consigo juntar da memória, foi assim: quando eu comecei a jogar pelada no Galerno, ninguém me conhecia. Eu teria uns nove anos e os outros eram um pouco mais velhos: Babá (João Augusto de Oliveira, filho do prefeito José Alcebíades de Oliveira), o Batata (Sérgio Tonetto, da Casa Jota, de Alfredo Tonetto), o Dududa (Vitor Hugo Azevedo Neto, filho do Promotor de Justiça Luiz Cortez de Azevedo) e o Valmor (da agência de viagens, que ficava na esquina do Cisne). Quando me perguntaram onde eu jogava, eu respondi: – No meio campo.O Valmor achou graça e começou a me chamar de “meio campo”. Mas o apelido não pegou. Dias depois houve um Gre-Nal. Então cada um disse “eu sou o fulano” (Dorinho, Bráulio, Joãozinho, Flecha). Eu não sei se eu disse “eu sou o Carbone” e o apelido pegou, ou foi o Valmor que trocou o apelido de “meio campo” por Carbone. Nem ele deve lembrar.

Tá aí a explicação que faltava à memória do Santo Ângelo de ontem. Mas a lista dos peladeiros do Galerno é muito extensa, ultrapassa os limites da coluna. Quem quiser acrescentar algo mais, que conte outra.

A FRASE DO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ, psicografada pelo médium Chico Xavier, curtida por Léia Maria da Silva Bertoldo: “Quem não sabe agradecer, não sabe receber e muito menos pedir”.