O Hans está rejuvenescido

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Em dezembro de 1958 ocorria a formatura de mais uma turma do Curso Técnico de Contabilidade do Colégio Marista, paraninfada por Irineo Lino da Ros (gerente da Caixa Econômica Federal e professor de Contabilidade). Entre os finalistas Adayr Albrecht, Augusto Marquardt, Araquem Albuquerque de Deus, João Luzardo Beck Aquino, Harry Streppel, os irmãos Wilmar e Wilson Pippi (o Wilson está organizando jantar de confraternização dos que ainda permanecem no cenário terreno), Wilson Franke, Valdir Amaral Pinto (Santiago), Yvanoff Braga de Oliveira e este colunista. Já desencarnados Romalino Brettas Trindade, Cândido Miranda, João Paulo Torunski e Hans Werner Sturzenegger e outros momentaneamente esquecidos.

A coluna de hoje recorda o Hans, desencarnado há pouco mais de três anos. Alegre, bem disposto, o Hans viveu os setenta anos terrenos dele em Santo Ângelo. Era filho único do suíço Hans Sturzenegger e de Erica Schnepfleitner, nascido e criado na Rua 3 de Outubro, na frente do Clube 28 de Maio. O suíço era uma espécie de engenheiro mecânico da época e trabalhava na Fábrica de Banha de Alfredo Leopoldo Fett. Quando o suíço deixou o mundo físico, o filho estava com apenas cinco anos de idade. O Hans passou então a merecer as atenções da mãe e de quatro tias solteiras, que moravam no mesmo prédio: entre elas, Carolina, que era dentista prática e protética. Todas se importavam com o Hans, a todas ele obedecia, como me informa a amiga Irene Schnepleitner. Ou seja, o Hans foi um caso inédito, pois teve, na prática, cinco mães…

Na juventude, o Hans adorava espionar o firmamento nas madrugadas, com a sua luneta e outros apetrechos. Trabalhou no extinto Banco Sul Brasileiro, que ficava situado na Rua 25 de Julho, esquina com a Rua Marechal Floriano, defronte à Casa Franke e em diagonal com a Casa das Sedas e se aposentou na Cotrisa. Não deu sorte no primeiro casamento, mas se acertou bem com a segunda esposa, a Ofélia Porciúncula Sturzenegger. Lembra a Ofélia que o Hans nasceu no dia 14 de janeiro de 1940 e faleceu no dia 14 de abril de 2010. Outro dia, perguntei a Ofélia se o amigo Hans alguma vez se manifestara em sonhos a ela e a resposta foi positiva:

– Sim, nos primeiros dois anos após o falecimento, o Hans aparecia em sonhos seguidamente, sempre com fisionomia alegre e para minha surpresa bem rejuvenescido. Quis saber o que fizera para estar tão moço e veio a resposta esclarecedora, que já contei para muita gente. O sonho foi muito nítido.

– Ofélia, quando a gente morre, a gente fica com a idade mental que se tinha na terra.

Apesar dos setenta anos, dos estragos físicos que a velhice acarreta, qualquer um que se mantenha alegre e otimista, vai ter no mundo espiritual aparência jovem, como é o caso do Hans, sem necessidade de recorrer à cirurgia plástica da medicina espiritual. O corpo físico envelhece, mas o corpo sutil do espírito depende de cada um de nós.

A FRASE DO CHICO XAVIER – destacada por Lourdes Bortolato – Quem abandona o cultivo de si mesmo permite que o matagal de suas imperfeições tome conta de sua alma. Sem disciplina, o espírito não avança.

PRA CABECEIRA DA CAMA – Recentes opiniões sobre o livro: Letícia Araújo – O livro é maravilhoso, escrito de maneira simples e esclarecedora. Luciana Mattos – A leitura e releitura de suas crônicas têm me ajudado muito na fase em que estou vivendo. Neide Bizzi – Comprei o seu livro, estou gostando e já esperando o próximo. Fábio Salses – Este livro é tão bom quanto o anterior e eu, particularmente, acho o que torna a leitura desses relatos tão agradável é o fato da proximidade do autor com a própria história da cidade e de seus habitantes.