O seu Aquino também estava lá

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Festa de aniversário de cem anos é coisa rara, mas aconteceu para a dona Bernarda, viúva do seu Aquino, que viveu e trabalhou em terras de São Miguel das Missões. Parentes e amigos miguelinos estavam na festa para comemorar e para matar a saudade de outros tempos. O filho da dona Bernarda, o Luiz Nicola, viveu momentos particulares de emoção ao rever familiares e amigos de décadas passadas lá do torrão histórico missioneiro. E muitos deles amigos antigos do seu Aquino, cidadão de estatura alta, bem encorpado fisicamente, enfim, o esposo da centenária dona Bernarda.

O clima emocional intenso favorece o intercâmbio mediúnico e de repente o Luiz Nicola foi envolvido pela presença do seu Aquino, desencarnado em março de 1991, que não poderia faltar ao expressivo ato de confraternização. Estava ali para rever a companheira de muitas décadas, os filhos e o pessoal de São Miguel. Afinal, o amor não morre nunca e a morte não apaga lembranças queridas. A saudade toca nos dois lados da vida. A propósito, o Nicola me conta:

– Mantivemos um bom diálogo, quando o meu pai falou da saudade que sente dos familiares presentes à festa e sobre os amigos e amigas que participavam do raro acontecimento. Insistiu para que eu transmitisse a todos a notícia de que ele também estava lá, que não esquecera de ninguém e que sentia muita saudade de todos, apesar dos anos de separação. Transmiti o pedido dele em parte, porque a forte emoção quase me emudeceu e não tive como evitar as lágrimas abundantes que rolavam pelo meu rosto. A experiência que vivi é mais uma das inúmeras demonstrações de que a morte não é aquilo que muita gente imagina. Efetivamente, não existe morte, e sim, uma transição da vida terrena para a vida espiritual, em outra dimensão.

Ante minha indagação sobre maiores detalhes, o Nicola, que não é médium de incorporação, retornou de imediato:

– Não vi a figura etérea de meu pai, o seu Aquino. Vi seu vulto, senti seu campo vibratório e nosso diálogo foi psíquico. Entretanto, em experiência similar, tive feliz encontro com o meu grande amigo Amândio Bittencourt, desencarnado há muitos anos, antigo batalhador da Sociedade Espírita Irmãos de Boa Vontade, do Bairro Pippi. Eu vi o Amândio com um corpo mais jovem, alegre, sorridente e loquaz. Inclusive conversamos sobre o Wilfredinho Bittencourt, sobrinho dele e meu protegido, um homem que abandonou tudo para viver uma vida de mendigo. Era comum vê-lo caminhando pela Avenida Brasil ou sentado nas imediações da agência do Banco do Brasil. Era muito conhecido na cidade.

O relato sincero e franco do Nicola certamente vai convidar muitos leitores da coluna a refletir sobre a brevidade da vida humana – uma lição sempre ensinada e sempre esquecida pelos terrícolas – envolvidos por mil problemas terrenos. Claro, os problemas terrenos precisam mesmo ser enfrentados do melhor modo possível, mas não podemos olvidar que a vida continua… E que precisamos desde logo recolher informações, ler muito, estudar como transcorre a vida em outra dimensão.

A FRASE DO ESPÍRITO EMMANUEL, psicografada pelo médium Chico Xavier e curtida por Danilo Toaldo: “Não lastimes as dificuldades que nos ensinam a viver. Ninguém aprende sem lições”.