O Wilmar voltou para contar

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Quem não conhece o mediunismo chama de alucinação a vidência de quem possui a faculdade de ver, ouvir e falar com desencarnados. Ou, ainda, segundo os céticos, tudo seria decorrência de medicamentos antidepressivos. Ignorâncias à parte, o amigo Luiz Nicola Vieira me passa mensagem que endereçou ao amigo comum, Aloísio Gérson Rocha, um dos pilares da Ordem Rosa-Cruz em Santo Ângelo. Nela, o Nicola se refere ao amigo e irmão por afinidade Wilmar Raguzzoni, vizinho dele por mais de trinta anos. O Wilmar era católico fervoroso e o Nicola, como todos sabem, rosa-cruz por várias décadas, um espiritualista aberto a todo o conhecimento.

Mas o respeito mútuo imperava entre eles. A tolerância religiosa é algo que está faltando em muitos lugares deste planeta. Os dois amigos conversavam muito, cada um contando suas experiências. No começo de maio de 2013, o Nicola viajou e por alguns dias esteve fora da Capital das Missões. Antes de viajar, passou pela casa do Wilmar Raguzzoni, que estava muito doente, em fase terminal. O Nicola vai contando:

– Como ele estava só, conversei longamente com ele sobre a doença, sobre a nossa amizade quase familiar. E adentrei em conceitos sobre a transitoriedade da vida terrena, a morte física e a continuação da vida em outra dimensão ou no céu como ele gostava de dizer… Ele me ouviu com muita atenção, fez várias perguntas, nos abraçamos quase chorando e nos despedimos. Eu tive a intuição que era a última vez que o via na vida terrena. Viajei e voltei uns quinze dias depois. Cheguei cansado e, à noite, quando ia dormir, o telefone tocou. Era o nosso amigo comum doutor Helmut Rosenthal, comunicando o óbito do Raguzzoni e que ele iria ao velório na Capela Tesche. Expliquei para o Helmuth o meu precário estado físico e que compareceria na manhã seguinte para a despedida do grande amigo.

Depois da morte, ninguém volta com o corpo físico para dar notícia, pois isso é mesmo impossível. Mas com o corpo espiritual a volta não é rara. E o Wilmar Raguzzoni voltou, como o Nicola narra para os leitores da coluna:

– Na manhã seguinte, acordei por volta das 6h30min. Achei cedo e voltei para a cama. Então recebi a visita do espírito do Wilmar Raguzzoni. Ele estava muito alegre (aliás, ele sempre foi alegre, contagiava os amigos), abraçou-me e disse: “Nicola, como você deve saber, estou indo para a nova vida que você tanto me falava e eu, às vezes, duvidava. Aquela porcaria do meu corpo não prestava mais, deixei-o ontem no hospital. Estou vivo e muito feliz, acompanhado de parentes e amigos que vieram me auxiliar neste momento tão importante da minha vida. Muito obrigado por tudo que fizeste por mim, especialmente por me confortar com a explicação sobre a morte, você tem razão, a morte não existe… eu estou aqui contigo meu amigo… que prova maior pode existir…”. O Raguzzoni foi embora e eu fiquei refletindo sobre o momento sublime, alegre pela visita do meu grande amigo e por sua felicidade em regressar ao mundo espiritual com absoluta tranquilidade. As suas asas estavam limpas, a consciência tranquila e ele voou para longe, como poucos humanos sabem ou têm condição de fazer. Grande abraço e Paz Profunda, Capitão Rocha, e meu agradecimento por tudo que fez por mim durante os belos anos que tive a ventura de frequentar o Capítulo Rosacruz de Santo Ângelo.

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Jovita Bohrer Gressler: “Em qualquer lugar, teremos o que dermos. Não esqueça: tudo o que fizeres aos outros, fazes a ti”.