Pegou o chapéu e foi embora

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Leo Petersen Fett, colega colunista do JM e confrade da Academia Santo-angelense de Letras, que amava a vida terrena, pegou o chapéu e foi embora para a vida espiritual, no cumprimento das leis universais, naturais, que regem nossos destinos. Bem que ele gostaria de chegar aos cem anos e empatar com o arquiteto Oscar Niemeyer. No ano em que o Niemeyer chegou ao centenário, o Leo sentou ao meu lado no jantar de confraternização da nossa Academia. O confrade apresentava então ótimo estado de saúde e eu arrisquei palpite que só o plano espiritual sabe por que não deu certo:

– Leo, com toda essa disposição e tantos planos na cabeça, eu acho que você vai chegar aos cem anos.

Ele agradeceu entusiasmado:

– Assim seja!

Algumas décadas antes, nos primeiros momentos do Parque de Orientação Profissional de Santo Ângelo, sonho que empolgou um grupo de obreiros da Arte Real, lá estavam a dona Lia (irmã do Leo), dr. Sparta de Souza, dr. Cândido Colossal da Silva, Tancredo Morais, quando ligeiro comentário sobre política entrou na conversa principal e a dona Lia se virou para mim e falou:
– O Leo e o João Calisto de Medeiros são apaixonados pelo Brizola.

Realmente, o confrade Leo se manteve fiel ao Leonel Brizola até o fim dos seus dias terrenos. Na última Feira do Livro, na Praça Pinheiro Machado, quando o confrade Adelino Seibt, como coordenador Regional de Educação, lançou livro com depoimentos sobre a Campanha da Legalidade, lá estava o Leo, de chapéu e bengala, prestigiando a memória do seu ídolo. Aliás, no livro, o Leo conta o sério desentendimento que teve com o Brizola, por questões de triticultura. Superado o incidente, que chegou perto da agressão física, ambos se tornaram grandes amigos e correligionários.

Mas o ídolo máximo do Leo foi o homem da Fábrica de Banha, chamado Alfredo Leopoldo Fett. Nas crônicas publicadas na imprensa e reunidas em livro, desponta como personagem principal o papai Alfredo, lembrado a todo instante, graças à ampla documentação que o Leo guardou como relíquia sagrada. Embora criado em religião evangélica luterana, o nosso amigo, desde o ano passado, comparecia, esporadicamente, às sessões públicas do Amor ao Próximo. A última vez ocorreu numa quarta-feira de novembro. Terminado o trabalho, o Leo me procurou e falou, com ar sério:

– Eu não sabia como o Espiritismo é importante.

Em resposta, sugeri a ele que estudasse o Livro dos Espíritos. Nos dias seguintes, o câncer se agravou, o Leo foi internado no Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, até sair do corpo físico e, certamente, ser acolhido no outro lado da vida pelos pais que ele tanto amou, Alfredo e Blanca.

A FRASE DO CHICO XAVIER – Seja a coragem dos que esmorecem e a consolação dos que perdem a esperança.