Personagens de ontem

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No tempo em que existia o futebol santo-angelense eu torcia pelo Elite Clube Desportivo, desde criancinha. Com os amigos e vizinhos Mauri Gomes (anos mais tarde, meu compadre) e Darwin Gomes Filho, éramos os primeiros a chegar ao estádio da Avenida Brasil e entrávamos sem pagar ingresso. Em seguida, estávamos acomodados no lance mais alto do pavilhão e não perdíamos nenhum lance. Me lembro dos goleiros elitenses Percival Garcia de Oliveira (que também jogou pelo Grêmio Santo-Angelense), Sady Peçanha, Rudi Erberich (o Sueda, assim apelidado pelo Carlinhos Schroeder, em homenagem ao goleiro da seleção sueca) e Gaúcho (que não sei o nome). Dos jogadores alvi-negros daquele tempo restam apenas dois na cidade: Neri Pippi, que era zagueiro ao lado do Wilson Farias, e Walmir Fasolo, que jogava na frente, ao lado do irmão Antoninho Fasolo e do cunhado Carlos Schroeder. Entre os torcedores, talvez os mais ardorosos tenham sido os componentes da família Farah.

Antonio Farah, dono da Loja A Miscelânea, vendia bilhetes da Loteria Federal e da Loteria Estadual, percorrendo as ruas da cidade, com pasta embaixo do braço, enquanto a Dona Malvina ficava atrás do balcão vendendo de tudo um pouco como indicava o nome do estabelecimento. Nos domingos, nos jogos do Elite, toda a família estava lá na Avenida Brasil gritando e sofrendo. Um dos filhos, Anuar, presidiu o Elite, com a torcida do Nure e da Jussara. Muitos anos depois, quando eu redigia o noticiário esportivo da Rádio Santo Ângelo, a dona Malvina me telefonava dando os últimos resultados dos campeonatos brasileiros. Outro dia, quando postei na rede social comentário sobre torcedores elitenses, a Patrícia, filha do Nure, meu colega de trabalho na Faculdade de Direito, me dizia, emocionada, que o comentário foi feito justamente no dia do aniversário do pai dela.

De outra parte, recordo dois músicos que formavam a dupla Brandão e Brandãosinho, com participação ativa em programas radiofônicos como era moda na época. Wilmar Ávila Brites, acordeonista cego, era o Brandão, e o sapateiro e violonista Paulo Munhoz, o Brandãosinho, embora haja controvérsias a respeito do pseudônimo de ambos. O amigo Matuzalém Mousquer me fala que seria o inverso, ou seja, Brandão seria o professor de violão Paulo Munhoz, e Brandãosinho, o Wilmar. Quem sabe desempatar? A dupla também costumava se apresentar no programa “Gravetos do Passado”, idealizado e apresentado por Christiano Batista Kruel e Emanoel Pegy de Castro e depois por Maximiano Bogo, todos do CTG “20 de Setembro”. Wilmar e Paulo também faziam parte da orquestra “Ritmos das Américas”, ao lado dos irmãos Bornes (Osmar e Milton, e os cantores Wilson e Aparecida), Camelo, Hugo Steinmetz e Rui Sefrin.

Tivemos também ótimos pianistas, como o Maestro Walter Hossfeld e o João Carlos Colla. O Maestro Walter mantinha programa radiofônico semanal, ao lado do violinista José Pery Bohrer, como animou muitos bailes nos clubes da cidade, com a Ritmos das Américas. O Colla também fez sucesso e, aos domingos, ao lado do baterista José Daniel Amarante, se apresentava no restaurante do Carlos Sperling, no Entre-Ijuís. Quando percebia a minha presença no restaurante, o Colla me brindava com a música francesa “Emanuele”, do filme de mesmo nome. Mas, como é rápida nossa passagem terrena, quase todos eles voltaram ao Plano Espiritual e outros músicos hoje alegram a nossa Santo Ângelo.

 

A LIÇÃO DO MÉDIUM
CHICO XAVIER:
“Na minha opinião,
o aborto é pior do que
o suicídio. Os praticantes
do aborto no Mundo
Espiritual estão em situação
de maior sofrimento
que os espíritos que, não raro, numa atitude de desespero,
cometeram o suicídio”

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