Preto-velho não quer dinheiro

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 Minha resposta para a Mônica (enfermeira diplomada, que trabalhou no Hospital de Clínicas, de Porto Alegre) sobre a cobrança de consulta por parte da médium por ela visitada, objeto da coluna anterior, suscitou manifestação do leitor Arno Luiz Lerino. É que, por inadvertido lapso, escrevi que médium umbandista pode cobrar consultas. Na verdade, não pode, pois preto-velho não quer dinheiro, não mistura a moeda com amparo espiritual. Mas vamos ao e-mail encaminhado pelo Lerino:

“Dr. Oscar, sou leitor e admirador de suas colunas nos jornais e às vezes sou ouvinte no rádio. Sempre tem um aprendizado para quem gosta ou trabalha nesta seara espiritual. Hoje em especial lendo a sua coluna com relação a Mônica, fiquei feliz por ver as pessoas procurando a entender mais sobre o outro lado da vida. E, em relação à médium Sônia, de Porto Alegre, lembro o dia em que ela estava sendo entrevistada no programa Aldeia Global, com o radialista Luiz Roque e o amigo também conversando com ela. Fiquei muito admirado da mediunidade dela, das respostas que ela estava dando no bate-papo com vocês. Na sua coluna de hoje houve uma parte onde a Mônica colocou que a médium cobra pela consulta. Até aí tudo bem, é o livre arbítrio dela em relação a cobranças, mas o amigo colocou que ‘ela não é médium espírita, é umbandista, que permite cobranças’. Dr. Oscar, o verdadeiro umbandista não cobra nada pelas consultas ou conselhos a seus irmãos, que o procuram. Digo isso com toda a certeza, pois temos um grupo de umbandistas, onde trabalhamos sem cobrança nenhuma. Talvez a médium Sônia seja de outras linhas, que permitem cobranças, mas nunca umbandista de fato. Um grande abraço.”

Errei mesmo na informação, que merece ser retificada. Agradeço ao Lerino pelo ajustado contraponto. Na Umbanda, predominam os chamados pretos-velhos, incorporados nos médiuns. São espíritos que se apresentam em corpo fluídico de velhos africanos que viveram nas senzalas e sofreram toda a espécie de humilhações. Consultados, costumam orientar o ser humano ante os problemas que apresenta. Agem como verdadeiros psicólogos, falando com simplicidade, com linguajar próprio, com algumas palavras que exigem “tradução”. Para enfermos, o preto-velho receita remédios e tratamentos caseiros para o corpo físico e para a alma. São espíritos que se caracterizam por humildade, sabedoria e paciência. Desaconselham o ódio, o rancor, o orgulho.

Mas há espíritos que pedem para se apresentar como pretos-velhos, embora nunca tenham sido escravos. São aqueles que, na última passagem terrena, cultivaram o orgulho, em razão dos bens materiais que acumularam ou por honrarias recebidas, talvez injustas. Há vários anos, tive inesquecível experiência com preto-velho, que me falava e pouco eu entendia. Para minha surpresa, de repente ele mudou completamente de linguajar e me falou em português impecável, que resumo assim:

– Eu também fui advogado como você, ganhei muito dinheiro, construí enorme patrimônio material. Então me deixei levar pelo orgulho e pela vaidade e não tomei conhecimento das necessidades alheias. Agora me apresento com a roupagem de preto-velho, com palavras de preto-velho, para cultivar a humildade que não tive na vida passada. Falava francês, estive muitas vezes em Paris.

A PALAVRA DO CHICO XAVIER – Ajude conversando. Uma boa palavra auxilia sempre.