Retalhos da vida

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Esta coluna está sempre aberta para o desabafo dos leitores ou para pedidos de explicações. Neste planeta de provas e expiações, os imprevistos ocorrem em abundância, daí os apelos para quem possa – apesar dos pesares – transmitir algum conforto. A Renata, por exemplo, tem curso superior na área da saúde, mas atravessa período de imensa amargura. Está mergulhada no ódio, sentimento que é péssimo conselheiro. Diz a Renata:

– Não estou vivendo bem há algumas semanas devido a uma perda inexplicável. Meu ex-marido, que amava muito, me deixou assim de uma hora para outra. Ele decidiu que não gosta mais de mim. Não entendo mais nada, nosso relacionamento era ótimo, sem brigas, declarações de amor seguidamente. Qual a explicação que se dá a isso? Preciso de ajuda, estou sentindo muita raiva, muito ódio dele.
Não sei opinar sobre temas sentimentais, mas alimentar ódio só faz mal para quem se refugia nessa emoção descontrolada. O ódio, se não dominado, se prolonga em vidas posteriores.

A Bárbara é outra detentora de curso superior, mas na área jurídica. Ela foi enganada por uma cartomante, tipo daquela leitora de bola de cristal interpretada pela excelente Whoopi Goldenberg no filme Ghost – Além da Vida, que assustava os clientes com supostas vidências de familiares desencarnados. Tudo por dinheiro. O pai da Bárbara voltou para o plano espiritual há vinte anos. No e-mail, a leitora conta:

– Meu pai foi um homem maravilhoso e minha mãe também, unidos por um amor sem igual e de uma finesse que era de estranhar em pessoas tão simples. Bem, o que eu quero lhe relatar é que eu caí numa cilada de uma cartomante. A mulher dizia que meu pai não conseguia aceitar o falecimento e eu teria de mandar fazer um “trabalho” para ajudá-lo no plano espiritual. Sem conhecer nada dessas coisas, dei o que ela me pediu: oito tesouras e não sei o que mais, além de dinheiro, é claro. Isso tem fundamento?

Não tem fundamento, Bárbara. Não dá pra misturar dinheiro com socorro espiritual. Além do mais, as cartas não têm o condão de trazer notícias dos desencarnados.

Bem diferente é o recado eletrônico da Carla Maciel Reis Marques, santo-angelense que trabalha na grande indústria de Horizontina. Ela tem sonhado com o avô, com o qual tinha forte ligação:

– No primeiro sonho, umas duas semanas depois do óbito, eu o encontrei num quarto de hospital, onde tudo era muito branco. Meu avô deitado numa cama, com ar tranquilo. Eu corri até ele e perguntei, assustada, se estava bem. A resposta foi positiva e ele disse estar acompanhado de uma pessoa à qual se referiu por apelido, que eu não conhecia. Despedimo-nos e acordei sobressaltada. Dias depois estive em Curitiba, em visita a meu tio, a quem contei o sonho. Então o tio confirmou que, realmente, meu avô tinha um familiar com o apelido mencionado no sonho. Sonho mesmo ou encontro com o espírito do meu avô? Tudo me pareceu muito real.

Claro que foi encontro da Carla com o avô desencarnado. Acredito que todos os leitores têm sonhos parecidos para contar. A continuação da vida não é coisa de mentes fantasiosas, mas consoladora realidade.

A PALAVRA DO CHICO XAVIER – destacada por Aline Moreira – Um dos maiores prazeres concedidos ao homem sobre a Terra é o de reencontrar corações que simpatizam com o seu.