Sem medo de contar

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Luiz Aquino Vieira chegou ao planeta em 1916 e se despediu em 1991. Era portador de corpo físico alto e forte, trabalhou na agricultura no atual município de São Miguel das Missões. Ardoroso admirador de Getúlio Vargas (dele acaba de sair o primeiro volume da biografia escrita pelo jornalista Lira Neto), Luiz participou da fundação do PTB em Santo Ângelo. Um dos seus filhos, o amigo Luiz Nicola Vieira, residente nesta cidade, não tem medo de contar as experiências mediúnicas próprias e o faz com a mais absoluta sinceridade, como exemplificamos a seguir:

– Em março de 2004, eu e minha esposa caminhávamos, na tardinha, na Praça Castelo Branco, zona norte da cidade. Para minha surpresa, encontrei num dos cantos da praça o espírito do meu pai e mais outro em sua companhia. Conversamos animadamente e perguntei quem estava com ele. A fisionomia do meu pai estava bem mais jovem e se mostrava alegre. Respondeu que estava chegando de Brasília, onde estivera acompanhado do espírito de Getúlio Dornelles Vargas. Eles tinham ido tratar de processo administrativo do meu interesse. Então me perguntou se eu tinha conseguido identificar o espírito de Vargas. Respondi negativamente, que somente conseguia vê-lo com muita nitidez e ouvir sua voz. Eu via um vulto junto a ele, mas não sabia quem era.
A caminhada do casal não parou, o diálogo também foi continuando e o “seu” Luiz fez vários pedidos com relação a outros familiares. Depois, confidenciou dois assuntos de sua vida particular, com informações inéditas e surpreendentes. Depois, disse que, possivelmente, não voltaria a manter contatos com o filho, que o aguardaria no plano espiritual e que a amizade entre eles é secular. Antecipou que ambos viverão na mesma colônia espiritual. O Nicola relata assim o encerramento do diálogo mediúnico:

– Após mais algumas breves afirmações genéricas e renovação de pedidos específicos, meu pai e seu acompanhante desapareceram de minha visão psíquica. Fiquei bastante chocado com as revelações que ele me transmitiu, quer por serem algo que eu pesquisava há vários anos e não achava a peça chave do quebra-cabeça, que ele apontara com coerência, quer por sentir profunda decepção com meus irmãos de jornada terrena.

O depoimento do Nicola é convincente e reafirma para todos nós a certeza da continuação da vida e a possibilidade de comunicação entre os habitantes dos dois mundos: o físico e o espiritual. Claro, muitos leitores torcerão o nariz e não darão crédito às palavras do Nicola. Os céticos continuarão negando de pés juntos, até que retornarão ao plano espiritual… Lamentável é o retorno na mais completa ignorância de que a vida não cessa nunca e que a morte não existe. Por fim, vale destacar que o mediunismo não é invenção dos espíritas, que as comunicações entre encarnados e desencarnados ocorrem desde que o planeta começou a ser habitado, o que faz tempo, muito tempo… O Nicola não é espírita, mas católico e seguidor da Ordem Rosa-Cruz.

PS – Gosto muito de receber as manifestações dos que nos honram com a leitura semanal da coluna, como é o caso do confrade Edu Aquino Ávila, também comentarista da Rádio Santo Ângelo. E do Luiz Fernando Machado, esposo da Bacharel Terezinha Andres Machado, minha ex-aluna. O Luiz Fernando me falou que começa a leitura do JM de terça-feira, sempre por esta coluna, assim como muitos leitores abrem a Zero Hora justamente na coluna do Paulo Santana. A leitora Camila Eickhoff Souto Menezes manda amável mensagem com relação à crônica anterior e diz ter refletido sobre a frase do médium Chico Xavier “isso também passa”. Camila acrescenta: “Amar a Deus e ver quão maravilhosa é a nossa vida, faz com que os problemas passem suaves diante do nosso dia a dia. Sabemos que as dificuldades não são fáceis de serem superadas, mas devemos ir ao encontro da solução, seja material, física ou espiritual. Agradeço todos os dias por tudo que vivencio, por tudo que já passei e tenho como frase para todos os dias, outra do mestre Chico Xavier: ‘Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim’”.