Sopa de mocotó do burrinho

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No inverno gaúcho, a sopa de mocotó extraído da pata da vaca, merece a preferência das cozinheiras. Muitas delas daqui são lembradas até hoje, como a Maria Rousselet, a Dona Negrinha, esposa do Brinquedo (o José Marçal), a Dona Estela, esposa do João Kaipper, que mantinha o Bar Flecha Verde, do Grêmio Santo-Angelense, a Dona Maria, esposa do Naná (Salvador Pinheiro Machado), da Pensão Maracanã e muitas outras. A sopa de mocotó mais famosa por aqui continua sendo a do Burrinho (Antônio Carlos Verri) e Dona Maria. Muito trabalhador, muito conversador, muito contador de histórias, algumas verdadeiras, outras não, o Burrinho alimentava a coluna do Isac Feijó, semanalmente. O Restaurante do Burrinho mudava de ponto constantemente e depois de cidade também.

Em Porto Alegre, o Restaurante do Burrinho dava almoço para os santo-angelenses que estudavam na Capital. Renato Zancan Marchetti era um deles e os dois se reencontraram mais tarde em São Paulo, para a mesma finalidade. O restaurante andou também em Giruá e por fim no Estado de Tocantins. Doente, o Antônio Carlos Verri voltou para Santo Ângelo e uma semana depois deixou o plano físico. A sopa de mocotó dele rendia muita conversa, como a lembrada por Rafael Fetter Menezes. O Rafael garante que o segredo do mocotó estava na água da banheira do Burrinho. Corria a versão, falsa, evidentemente, de que o Burrinho passava uma semana sem tomar banho pra juntar a água para o mocotó de sábado. Alessandra Verri, filha dele, conta que provou muitas sopas de mocotó por aí, mas nenhuma como a feita pela mãe dela, a Dona Maria.

O Burrinho, primo do Dunga, tinha paixão pelo Grêmio, de Porto Alegre, e pelo Botafogo, do Rio de Janeiro. Adorava conversar sobre futebol e sobre os craques desses clubes. Numa oportunidade, eu entrei no restaurante dele, que então estava situado ao lado do Hotel do Comércio, do engenheiro-filósofo Otto Alfredo Hentschke. Entrei pra comprar qualquer coisa e conversar com o Burrinho, que conheci desde criança. Nossos pais eram vizinhos na Rua Marechal Floriano. Aliás, Ricardo Verri, o pai dele, inaugurou a Churrascaria Continental, a primeira da cidade, na esquina da Marechal com Antônio Manoel, onde se localiza hoje uma farmácia. Ricardo Verri também foi treinador do Grêmio Santo-Angelense. Bem, eu entrei no restaurante e testemunhei algo fantástico em matéria de conversa fiada. O Burrinho falava mais ou menos assim, em tom sério, para um freguês pasmado:

– Eu joguei vários anos no Botafogo. Era ponta-direita. Eu saí do time porque fui substituído pelo Garrincha…. Antônio Rafael Lima Verri, filho do Burrinho, me conta que até ele acreditava nessa fantasia do pai.

Voltemos à sopa de mocotó, que cai bem nestes dias gelados. Todas as cozinheiras mencionadas voltaram ao Plano Espiritual. Hoje, a Chica Grass Sperling e o Restaurante Crebom capricham na sopa de mocotó a quem interessar possa.

 

ESPÍRITO EMMANUEL
“A caridade é o processo de somar alegrias,
diminuir males,
multiplicar esperanças
e dividir a felicidade.”

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