“Telefonemas” pro lado de lá

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Pai e filha se davam maravilhosamente bem. Como em vidas anteriores, com certeza. Ninguém se encontra por acaso. Um dia, esgotado o tempo terreno, o pai voltou ao Plano Espiritual. A filha, inconformada com a separação provisória, tentou um jeito todo seu de se comunicar com o pai desencarnado. Um jeito de quem ignora a continuação da vida além da sepultura ou das cinzas da cremação. A filha é pessoa de alto nível cultural e escreve magnificamente bem, como o leitor irá concordar comigo. A filha já residiu em Santo Ângelo; hoje está em outra cidade. Com estilo de Cláudia Laitano, ela narra a original experiência que viveu, no exercício da imaginação (que promete não repetir):

– Desde que meu pai morreu, inventei uma maneira meio boba de continuar conversando com ele, só pra não perder o hábito: eu finjo que telefono, digo alô e tudo – e falo, falo com ele sobre como foi o dia, quais as nossas novidades, o que andamos fazendo, quais têm sido os meus problemas atuais e etc, exatamente como fazíamos enquanto ele era vivo.

Todos nós costumamos sonhar com familiares desencarnados. Sempre que podem, os entes queridos se reencontram com os parentes terrenos. Quando acordamos, esquecemos de muitas cenas e de muitos diálogos. Fica, no entanto, a certeza de que estivemos juntos. Efetivamente, estivemos juntos, o que nos alegra muito. Como foi o caso da nossa amiga. Ela sonhou com toda a família reunida, o pai com a roupa simples de pescar na praia. Todos conversavam, animadamente. A filha então conta a parte mais importante do sonho tão nítido:

– De repente, o sonho se congela. Tudo para, nada mais acontece, exceto comigo e com o meu pai. É como se uma câmera nos aproximasse, como se ficássemos surdos para o arredor num close certo. Olho bem nos olhos dele e mudo radicalmente de assunto.

– Pai, eu te ligo quase todos os dias. Te ligo e te falo da minha vida toda. Quando não “telefono”, comento em pensamento as minhas coisas, peço que te contem sobre nós e que me mandem alguma notícia quando der. Ele me olha bem dentro dos olhos e me dá uma resposta firme, que não combina com o meio sorriso em seu rosto e com uma súbita timidez. Simplesmente me diz, com aquela voz que era dele, com o jeito que era dele (e chego a observar bem seus dentes, seus lábios finos e era tudo igual a antes):

– Eu soube.

A resposta lacônica do pai, com notória timidez, demonstra suficientemente que ele ainda não tem condições de dialogar com a filha, é cedo para isso. Faz pouco tempo que o pai deixou o mundo físico. Normalmente, o espírito, conforme o grau evolutivo de cada um, demora mais ou menos tempo para se adaptar ao novo nível de vida. Adaptado, o espírito é capaz de transmitir mensagens aos familiares através de sensitivos, pela faculdade da psicografia. Quando chegar a hora, o pai da nossa amiga dará a ela alguma prova inequívoca de que não morreu, apenas trocou de indumentária. E que continua o mesmo.

A FRASE DO ESPÍRITO Adolfo Bezerra de Menezes, pelo lápis do médium Chico Xavier: “Quando a caridade é muito discutida, o socorro chega tarde”.