Uma dúzia de ovos…

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A mecânica dos sonhos é complexa, não temos todos os dados para análise e perfeita compreensão. Muitos sonham com entes queridos desencarnados e ainda assim não acreditam no que viram durante o sono. A presença viva dos desencarnados atropela as convicções religiosas dos céticos quanto ao prosseguimento da vida em outra dimensão. Quanto à interpretação de sonhos enigmáticos aí é questão para o bíblico José do Egito (uma historinha que o meu pai gostava de contar e eu gostava de ouvir). Depois do José não apareceu mais ninguém para interpretar sonhos com exatidão.

Outro dia, senhora residente em São Miguel das Missões mandou e-mail contando que há três anos perdeu a mãe e ainda está inconformada. Era filha única. Preocupada com a tristeza da filha, a mãe aparece em repetidos sonhos para ela, fazendo-lhe ver que está na hora de secar as lágrimas. Diz a remetente:

– Eu vivo sonhando com a minha mãe. Nos meus sonhos ela não está morta. Eu sou filha única e nós éramos muito apegadas. A minha religião ensina que a vida termina na sepultura e só nos voltaremos a reencontrar no dia do Juízo Final. Estou confusa, não entendo mais nada.

A Beatriz trocou Santo Ângelo pelo Rio de Janeiro há mais de quarenta anos. Problema de clima, o frio prejudicava a saúde e o clima tropical lhe fez bem. Ela é irmã do Ivo Werlang, que bem cedo ingressou na Aeronáutica. Em 1959, o Ivo e um colega vieram visitar o nosso solo missioneiro. Ao sobrevoar o centro da cidade, à baixa altura, houve algum problema técnico e o pequeno avião da FAB caiu bem no meio das ruas Marechal Floriano e Duque de Caxias, num estrondo que ecoou por toda a cidade. Por sorte, a aeronave não se chocou com o Posto de Gasolina Hillescheim, hoje Flach. Os dois pilotos morreram na hora.

Mas, assim como a amiga de São Miguel das Missões, a Beatriz tem sonhado seguidamente com os pais desencarnados. Remoçados, sorridentes, eles visitam a filha para matar a saudade, é claro, e para mostrar a ela que a morte não existe. Atrapalhada com o que vê, a Beatriz quer eliminar as dúvidas, em definitivo, e então indaga:

– Existe mesmo vida depois da morte?

Há poucos dias tomei conhecimento de um sonho diferente, envolvendo pessoas que ainda não terminaram a sua missão terrena. Acompanhado da esposa, senhor de idade média residente na Esquina Redim, município de Vitória das Missões, veio me relatar o sonho que teve:

– Nosso filho faleceu recentemente na Bahia em acidente de automóvel. Fiquei sabendo que o senhor também passou por essa prova. Há três ou quatro noites passadas, eu sonhei com o senhor, embora só agora esteja lhe conhecendo pessoalmente. Posso lhe garantir que é o mesmo do sonho. O mesmo que me chamou pelo nome e disse que trabalharia para mim como advogado. Como respondi que não tinha dinheiro para lhe pagar, o senhor me respondeu: “Traga uma dúzia de ovos e tá feito o pagamento”. O que me impressiona é como o senhor sabia o meu nome completo.

Francamente, eu ignorava que durante a vigília noturna eu tinha me deslocado para a Esquina Redim! Infelizmente, o José do Egito não anda aí para nos explicar sonho tão original como esse.

A FRASE DO CHICO XAVIER – curtida por Andrea Bayer Zardim – Quem faz o bem, além de viver no bem, colhe o bem.

PS – Sobre a coluna anterior, chegaram amáveis recados eletrônicos do padre Odécio Tem Caten, há cinco anos em Capão da Canoa (RS), do médico Mauro Sparta de Souza, que trabalhou com Pedro Canísio Lippert no Hospital Militar de Santo Ângelo, da Luiza Migliorini e da Cristine Peixoto.