Uma história de amor

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Não é simples reminiscência. Não é amontoado de dados biográficos. A passagem do Dr. Gatz, médico alemão, durante décadas em Santo Ângelo, é uma verdadeira história de amor. À Medicina. Ao povo santo-angelense. Era a época em que os médicos dependiam muito mais de sua apurada intuição em razão da escassez de exames que possibilitassem o diagnóstico correto. Ainda assim, o Dr. Gatz e sua esposa Gerda Gatz, enfermeira, chegaram e ficaram aqui, no cumprimento das nobres missões escolhidas. Por que trocaram a Europa por Santo Ângelo, então cidade atrasada, sem nenhum hospital? Só o Plano Espiritual tem as respostas.

A Dra. Karina Gatz Capobianco, filha do médico Miguel Capobianco e da farmacêutica Astrid Gatz Capobianco, é médica reumatologista no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Há poucos dias, a Karina publicou fotos na rede social, em que se vê o jovem casal recém chegado da Alemanha, e ambos visitando enfermos no hospital inaugurado no dia dois de outubro de 1927, na Rua Andradas, esquina com Rua Marquês do Herval. A propósito, a Karina comentou:

– Meu avô (Dr. Gatz) e minha avó (Enfermeira Gerda, belga) atendiam sozinhos todo tipo de problemas de saúde de toda a população da região. Numa época próxima ao início da Segunda Grande Guerra Mundial, ele veio ser médico em Santo Ângelo. Chegou com minha avó, se naturalizou brasileiro e em poucos meses já falava português. O Dr. Gatz fez no hospital dele a primeira cesárea do Interior do Estado (então nasceu José Alcebíades de Oliveira, filho do português Manoel Oliveira e de Ercília Rolim, filha do Coronel Quinzote). Numa viagem à Alemanha, meu avô comprou e remeteu por navio para o Brasil, um aparelho de Raio-X, trouxe sulfa e penicilina. Salvou muitas vidas e ajudou muito mais. Meu modelo, meu orgulho!

Na esquina da Rua Antunes Ribas com Andradas, o Dr. Gatz construiu belo prédio residencial, de dois andares, ainda existente, à espera de restauração. O prédio do hospital foi vendido e demolido, substituído por outro de vários andares. Mas, junto ao médico competente, humanista, existia o cidadão Gatz que amava o jardim bem cuidado, na frente do hospital, que amava o pavão que, garboso, se considerava o dono do mundo. Que conferia os boletins escolares das netas. O farmacêutico bioquímico Egon Arnoni Schaeffer hoje mora em Montenegro, mas, na juventude, morou aqui e se lembra muito bem do pavão. O Egon me escreve:

– O pavão era de tom azulado. Quando encolhia as penas, o Dr.Gatz dizia que a ave estava envergonhada…

O amigo Cláudio Przibilski Dias admirava o estilo arquitetônico do prédio do hospital, inclusive o conheceu por dentro. Admirava “o abnegado e visionário Dr.Gatz” e para ele e para todos nós, o que sobrou do complexo hospitalar Gatz (o prédio residencial) deveria ser preservado, restaurado e transformado em museu, para perenizar a odisseia desse grande médico, que deixou marcas inesquecíveis em Santo Ângelo.

FÉ RACIOCINADA – sugestão de pesquisa em nosso confinamento.

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