Uma linda história

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O Carbone dos tempos felizes do Galerno, com o Seu Percival controlando a molecada, cresceu, estudou e hoje é o respeitável Desembargador Newton Fabrício, do Tribunal de Justiça do Estado. Observador atento dos flagrantes do cotidiano, Fabrício transforma-se em excelente cronista, com aproveitamento de algumas expressões gauchescas, típicas da terra do pai dele, o Tabelião Newton Furtado Fabrício, nascido em Bossoroca. Em recente crônica, o Desembargador conta a fantástica recuperação que se operou em guri de São Borja, viciado em crack, com apenas 10 anos e já infernizando a vida de muita gente. O trabalho altamente humano do Juiz Maurício Ramires, da Vara da Infância e Juventude, culto, idealista, e da Psiquiatra Ivete Blanco, mudaram da noite pro dia o comportamento belicoso do piá, agravado pela droga.

De peito apertado, o Juiz Ramires encaminhou o guri para estabelecimento especializado de Novo Hamburgo, como medida salvadora. O guri não queria ir de jeito nenhum, teve de ir amarrado. Lá chegando, fugiu no primeiro dia e foi visto esmolando na rua pra comprar passagem de volta pra São Borja. O Juiz decidiu que iria a Novo Hamburgo encontrar o guri. Quando já estava com o pé no estribo, chegou a notícia, tinham encontrado o piá. O guri não sairia mais de São Borja. O menino foi encaminhado à Psiquiatra Ivete, para tratamento ambulatorial. No primeiro encontro, ela perguntou pro guri o que ele mais queria na vida. Resposta pronta: um revólver. Pra quê?

Outra imediata resposta: – Por que quando eu ser grande eu vou ser chefe de uma favela.

Duas semanas depois, a Psiquiatra liga para o Juiz. Explica que faltava a figura paterna na vida do piá. E pergunta se ele aceitaria conversar com o guri, pra ver se ele criava algum vínculo com essa figura. O Juiz atendeu o telefone dois minutos antes de uma audiência começar. Tradicionalmente pontual no comparecimento às audiências, o magistrado obteve a concordância dos advogados e das partes, para que fosse ao encontro do guri e foi. O diálogo certamente foi decisivo na vida do moleque. Ouviu palavras que nunca tinha ouvido, mereceu atenções que nunca recebera. Palavras e atenções capazes de operar a transformação de qualquer um, para melhor. E logo de um Juiz. Algumas semanas depois, a Psiquiatra liga para o Juiz:

– Dr., o senhor não vai acreditar.

– O que houve, Dra.?

– O guri não quer mais revólver, nem ser chefe de favela…

– Bah… que surpresa. O que ele disse?

– Ele quer ser Juiz, que nem o senhor.

 

ESPÍRITO SEPÉ TIARAJU,
psicografado pela médium
Maria Elisabeth Barbieri,
no livro “Os Espíritos Contaram”:
“Servir é um contínuo vir a ser que
o Espírito edifica para a sua redenção.”

 

 

 

 

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