A cor do amor

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 Amor é a primeira palavra do alfabeto divino. Dele, apenas temos uma vaga noção. Nossa vida gira em torno do amor sem que o compreendamos em sua essência. Há uma força telúrica que nos prende ao amor através da consanguinidade. Somos alunos primários nessa matéria aprendendo a letra muito demoradamente sem nos ater ao espírito nela inserido. Há muito o que estudar, viver, vivenciar. Há uma estrada longa a ser trilhada para compreendê-lo e aos seus divinos desdobramentos.

Pintamos o amor de várias cores e nos saturamos de uma ou outra cor sem percebermos os diáfanos limites que há entre os matizes. Não percebemos a subjetividade, a quintessencia dos tons apresando-nos em significar o que não tem significado. Qualificar o que é inqualificável. Medir o que não tem peso. Classificar o que é imponderável.

Como infantes damos os primeiros passos nessa matéria. E tentamos amar! Tentamos conjugar o verbo amar em nossa vida e em nossas ações. Na maioria das vezes somos um desastre. Trocamos os significados, invertemos as coisas. Pensamos dominar algo quando, em realidade, somos dominados. Pensamos ser senhores de uma situação sem percebermos que somos sim, escravos. A liberdade é prisão. O poder é falso. O conhecimento é precário impossibilitando-nos de uma real avaliação.

O amor é algo tão grandioso que a humanidade, após mais de 2 mil anos, ainda não soube absorver a lição de um iluminado Mestre que o semeou aqui no planeta. Pensamos que amamos quando nos apaixonamos por A ou B. Isso não é amor, é um estado inconsciente de domínio. Desejamos esse amor por que, de alguma forma, sem mesmos percebermos, ele nos indica algum benefício. Amor não é soma matemática, amor não é ativo, amor é doação, entrega… essa matemática não compreendemos por sermos ainda tão matéria, por sermos ainda tão brutos, pensando sempre naquilo que nos envolvemos e o quê poderá nos agregar.

Amor é um estado de espírito, é algo difícil de definir. Não tem cor, peso, aroma, ou qualquer atribuição física para classificá-lo. Amor é uma palavra que transcende, que liberta, e está sempre logo ali no futuro, a um passo de nós, acenando, sorrindo, de braços abertos… Portanto, amor não tem cor. E se tivesse teríamos que compreender a segunda palavra divina: cor ação!

O coração não é apenas uma bomba de sangue que nos vitaliza levando o oxigênio as fronteiras do nosso corpo. O coração não é apenas uma máquina física, mas a sede do sentimento onde brota o amor mais puro. O coração é um canal, uma fonte, um farol. É nesse orgão que o ser espiritual se manifesta expressando a que veio, o que quer e o que deseja. Podemos enganar aos outros mas jamais enganamos a nós mesmos. O orgão é pura emoção, ação, expressão.

O amor tem sua residência no coração. E quando alguém se instala nele que revolução provoca. Esse alguém que veio ali morar muda tudo de lugar, nos deixando literalmente perdidos. Não nos achamos mais, perdemos as referências, o bom senso. Tornamo-nos novamente crianças, adolescentes que tudo ousam e quase tudo experimentam. Quando damos guarida a alguém que amamos, esse alguém nos vira do avesso, passa a ser o sangue que vitaliza , o oxigênio que leva a energia para se viver, e vive-se em função desse alguém que displicentemente veio ali se instalar.

Amor é entrega, anulação do ego, despreendimento de qualquer interesse. Amor é viver pelo outro sem pensar em si. Essa forma de amor é tão difícil para nós outros que somos ainda tão pequenos. Nós que ainda transbordamos de interesses, de egoísmos e outros sentimentos nada nobres. Esse amor é meta, mas ainda estamos tão longe de vivenciá-lo, mas basta senti-lo levemente para nos incendiar.

Quando alguém entra, nós saímos de nós mesmos. Esquecemos nossas carências para vivermos daquele (daquela) que nos move e nos emociona. Uma verdadeira revolução instala-se em nosso ser deixando-nos perdidos entre tantos desejos… claro fica o quanto somos carentes de carinho e de atenção. Claro fica o quanto somos pequenos ainda, e qualquer fonte de luz e de calor nos é uma tentação irrefreável, inquestionável, derradeira.

Como somos carentes do amor! Tenha ele a cor que tiver.