À flor da pele

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Do ser obtuso, multimilenar, que conheceu como primeira emoção: o medo, percebemos hoje o intrincado ser emocional em que nos tornamos. A humanidade chega à maturidade emocional, física e intelectual, trazendo em si mesma o arquétipo primitivo. No entanto, vê a sublimação das emoções, boas e más, que o compõe como um ser complexo. O antigo humanóide, australopitecos, cavernoso e profundamente atolado na ignorância, dá passos largos para fora de si mesmo. Agora contempla as estrelas – tal qual o fazia nas noites das cavernas – no entanto, elas nos tem outro significado, outro entendimento. Não mais luzes desconhecidas, penduradas na noite de um céu mensurável, mas mundos nos dando às boas-vindas em conluio silencioso e brilhante em descobrimentos, em superação e entendimentos.

O homem se torna fino diapasão de emoções onde o esvoaçar da borboleta, o sussurro do vento, a simples contemplação da natureza, vibra as cordas sensíveis de sua emoção.

Despertamos assim para algo que vai além da matéria. Percebemos, ao nos descobrir, que somos essencialmente feitos de sentimentos. E de energia, pois a matéria é apenas energia condensada. Seres sensíveis morando dentro de um violão físico, de um corpo material, capaz de tudo decodificar.

Antes nos emocionávamos com o que não entendíamos, e quase não entendíamos nada. Hoje, nos emocionamos com o que entendemos, e entendemos tão pouca coisa. Assim, vamos despertando do caos da ignorância rumo a uma consciência cósmica que nos dá asas inimaginadas.

E o outro, o próximo, o semelhante?… Compreendemos, as duras penas, que só nos fazemos, que só nos construímos quando deixamos o orgulho de lado e percebemos ao nosso lado, alguém, um igual a nós, que respira. Percebemos que a dita felicidade somente existe quando conseguimos confraternizar, quando conseguimos dividir, interessando-nos verdadeiramente pelo semelhante que move-se ao lado. Mais, nos tornamos sensíveis às manifestações desse próximo que, embora infinitamente divergente em cores, tendências e entendimentos, é nos semelhante na essência.

Começamos a captar o mundo à flor da pele!

E o mundo… quanto mudou! Vivemos o momento da verdade, onde cada um diz a que veio. O bem e o mal em sua plenitude, sem máscaras, de peito aberto. O caldeirão fervilha e transborda! O tempo é de transição, de mudança. Nunca houve nem haverá mudança tão drástica quanto a que estamos submetidos. É um tempo de definições. De escolhas. De novos projetos, novas visões. Os sentimentos, todos, estão à flor da pele, vibrando intensamente.

Há alguma coisa de aurora boreal, de vento solar, de natureza extraterrestre que nos chega sutilmente, emocionando. O diapasão humano conhece novas frequências, novas notas, até então, sequer sonhadas. O planeta emociona! A vida emociona! O amor emociona!

Percebemos os novos tempos à flor da pele!

Não importa o amanhã que nos bate à porta! Os novos tempos que chegam à galope, surpreendendo. Não importa a última hora, o último minuto, nem o último segundo… importa sim a conscientização que depois… uma nova panorâmica haverá de surpreender e recomeçar com outros valores e novas medidas!

Há crianças surpreendendo! Há emoções outras, que desconhecíamos. Há posturas surreais, e mais, há fótons tocando a pele em forma de luz. Uma luz que não queima, que não faz sombra. Para onde vamos?… Para o futuro, certamente! E ele haverá de ser uma sinfonia para nosso ouvidos cansados que embalará nossas almas peregrinas e nos falará de uma tal de felicidade.

Vamos do alfa ao ômega. Percorremos os caminhos da Terra, seguindo o longo caudal de rios quase sem fim. Finalmente damos na foz de todos eles. Chegamos ao grande mar, ao grande oceano das possibilidade e dos sonhos. Mas, verificamos… não é sonho! É sim, a nova realidade do Grande Oceano que se chama: Vida! Que se chama: Imortalidade!