De mala pronta

0
111

O Dr. Oscar Pinto Jung, em sua coluna semanal, discorre sobre a importância de preocuparmo-nos com o regresso à Pátria do espírito, haja vista, que a finitude humana é Lei, cedo ou tarde acontecerá.

Mergulhados na matéria, com saúde e vitalidade, a permanência aqui nos parece eterna. Preocupamos com tudo o que diz respeito ao físico: roupa, alimentação, moradia, finanças… Mas, não damos a devida importância ao destino final: o regresso à espiritualidade! Portanto, desde o momento que aqui chegamos, portamos passagem de regresso com hora, dia, ano… porém, a data nos é desconhecida. Ora, sabedores desse retorno que pode ser a qualquer momento, a lógica é estar sempre pronto, com a mala feita. Se o país para o qual retornaremos é desconhecido (à nível consencial), em temos espirituais é apenas a volta para o lar. A razão e o bom senso nos falam para estarmos preparados para o regresso. Devemos ter a mala pronta já que a passagem é certa.

O que importa levar, preparar, acondicionar? Posses? Títulos? Certamente que não! Nada do que é matéria ou da matéria embarca nesse trem. Um Lume? Um mapa? Uma carta de recomendação? Sim! Esses itens serão de grande valia lá no país da verdadeira vida. O lume poderá ser o bem que tenhamos semeado. O mapa, o resultado da fraternidade distribuída. A carta de recomendação, gerada dos atos de bondade humanamente oferecidos no percurso da existência.

Felizes daqueles que preparam a sua mala, o seu bornal de viagem. Afinal, ninguém sabe quando embarcará de retorno, se hoje ou amanhã.

 

____________________________________________________________________________________

Do grande poeta português, Antero de Quental:

 

A LÂMPADA E A CHAMA

A alma clamou cansada ao corpo, um dia:

– “Porque me prendes, barro vil e escuro?

Quem te sustenta por lodoso muro,

Acalentando a noite que me espia?

Quem te mandou, algema da agonia,

Escravizar-me o sonho vivo e puro?

Quem te criou, cadeia de monturo,

Excitando-me a dor e a rebeldia?”

E o corpo respondeu , calmo e sublime:

– “Eu sou, na Terra, a cruz que te redime,

Não me interpretes por sinistra grade…

Deus modelou-me lâmpada de lodo,

Na qual és chama do Divino Todo

Para fulgir além, na Eternidade…”