Intransigências

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Lanças contra mim lâmina afiada de palavras inconsequentes
És predadora ativa, tremula de emoções, movida por instintos.
A carga viva destruidora, maldizente, fria e mórbida, sinto.
– E o que faço se o teu lasso me prende o coração fremente?

Rasgo-te a roupa, ponho-te na nudez tão desejada, odiada.
Vejo-te carnes trementes, os estertores do ódio não dominado.
Somos resultado de uma má soma, projeto errôneo do passado.
Uma cobra ambígua, por nós próprios ridiculamente criada.

Cúmplices no bem, no mal, dupla de déspotas, aos extremos.
E o fim chega assim, inexorável, mostrando o que não cremos
alimentado pelo impulso, pela força sem lei de tristes opróbrios.

Ambos avivamos a fumaça, alimentamos o fogo e as brasas
lançados como navalha que nos corta radicalmente as asas,
enchendo-nos o entendimento de inomináveis e tristes ódios.

Convido meus distintos leitores para nos prestigiar na Feira do Livro. Lançarei no dia 29, sábado, às 18h o livro de contos Navios-Fantasmas. Terei imenso prazer em vos receber lá na Feira.