Máquinas do tempo

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 Quem disse que a hora chega inexorável? Quem falou que o tempo está sacramentado? Que não há mais tempo para rir ou para chorar? Que os relógios são precisos?

De todos os relógios analógicos e digitais que conheci o que mais me impactou foi pintado por Salvador Dali… Sim, retiro-me àquele que se derrama em uma beira de mesa. Aquele é um relógio autêntico, onde ponteiros e horas se fundem, se mesclam, se confundem. Sim o tempo é impreciso ali, ali onde não há lugar para mecanismos, cientificismo, para a exatidão irrecorrível, para verdades absolutas… O relógio autêntico que concebo bate sistoles e diástoles, acelera e retarda conforme as emoções do momento. O relógio verdadeiro está aberto para sugestões, é acessível pela maioria e reage a esta acessibilidade marcando tempos diferentes.

Confesso! Sou doidão por um relógio derramado, estes surreais que não dizem nada e falam tudo. Quisera saber confeccioná-los – falta-me a arte dos mecanismos – estes mecanismos que apenas os gênios possuem. Sou muito comum para conceber irrealidades, e pequeno demais para surtos, para rasgos de genialidade. A minha pequenez me acachapa e delimita em um tempo previsível, comum aos comuns. Como desejei ser Dali… poderia ser daqui mesmo. Louco. Doidão. Fora da casinha. Gênio inconteste! Desses seres humanos que foram jogados na Terra, não por descuido – não há engano na Providência dos Mundos – mas para dar uma “palhinha” no que seja a arte pictórica em níveis superiores de concepção humana.

Na-na-ni-na-não! Não há finalmente. Nem ponto de chegada. Nem fim de prova. Não há nada que signifique fim. Há sim, uma eterna renovação, há sim uma infindável situação da Fênix, quando se renova das próprias cinzas. O fim é falso. O fim é um engodo. Um conto de terror. E afirmo categoricamente: ele não existe! Como diria Antoine Lavoiser: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
O tempo é relativo, cada mundo tem o seu. O tempo é relativo, cada ser é regido por tempo diferente. Enquanto alguns contam com dias, outros contam com décadas, séculos. A física ensina uma distorção no tempo. Albert Eintein e sua teoria da relatividade nos põe a pensar. Um amor com desejo absoluto devora o tempo. Um detento com pena perpétua é devorado pelo tempo. Tudo é relativo! Tudo passa, tudo se renova. Não o fim, mas a renovação, o reposicionamento, o retrabalho em novo nível, a nova paisagem no mesmo palco. Palhaço? sim, mas ator! Importante é dar continuidade na peça e fazê-la da melhor forma possível. Aplausos? Provavelmente haverá apenas o silêncio absoluto. Não importa! Importa sim é atuar com o coração. Esse relógio preciso cuja chama imortal nos conduz para outras realidades.