Resiliência – Capacidade de superação

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Creio que a melhor definição de resiliência é: “Mente sã em situação de caos”. Mas entendamos como surgiu o termo, e quando. O cientista inglês Thomas Young, já em 1807, disse que resiliência é a capacidade que um elemento tem em retornar ao seu estado inicial, após sofrer uma influência externa. Por mais que seja pressionado, o mesmo retorna ao seu estado original sem deformação.

Quando falamos em pessoas resilientes estamos nos referindo a pessoas que tem a capacidade de, sob impacto e pressão, retornarem à situação anterior com o mínimo de sofrimento. E mais, sabendo tirar vantagem da situação adversa. Incorporando a experiência positivamente mesmo que ela tenha se dado em ambiente novo e desafiador. Não deixar abater, não fraquejar, não desencorajar-se jamais, consciente que os problemas e as adversidades são, na maioria das vezes, o prelúdio de mudanças. Saber aproveitar esses momentos é o que diferencia as pessoas pró-ativas, as corajosas que não temem o desconhecido, nem o desafio, nem os fatores angustiantes que vem com o novo, pois muitas vezes se deve agir como as cigarras, desveste-se a casca presente para sobreviver no futuro.

Há que ser criativo, ser persistente, flexível para entender as novas oportunidades. A chuva inesperada e não desejada é a mesma que renova o ar e perfuma o ambiente com leves virações. O vento que assusta uns é o mesmo que impulsiona as velas. Enfim, como dizia Epicuro: “Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”.

Somos seres sublimes, sensíveis, impressionáveis. Uns mais, outros, menos. No entanto, quando submetidos a perdas – a prova moral mais tenaz – devemos nos render às lágrimas serenas, que são filhas da sensibilidade comovida, jamais ao pranto convulso, vizinho do desespero. O ser humano é igual ao barro que sofre na olaria todo tipo de revezes, submetido a compressão e a altas temperaturas. Assim como o bloco de mármore que, sob a tenacidade do martelo, sob forte vontade disciplinada, revela a obra prima de seu interior.

A preparação para a mudança deve ser constante, pois tudo gira no universo, não há nada estático. Conhecer-se, saber de si, ter coragem de ir além do hoje e do agora é atitude resiliente, assim como conhecer as possibilidades do próximo, permitindo uma grande flexibilidade com o diferente, torna-nos mais aptos ao sucesso.

Há momentos que devemos dizer não. Um não verdadeiro é imensamente mais objetivo que um sim falso. Não há razões para enrolar, para postergar, seja o que seja. O tempo é muito importante para ser perdido em rodeios que não levam a nada. Objetivar e elencar prioridades é essencial para não se perder em um emaranhado de tarefas. “A chave não está em priorizar aquilo que está em sua agenda, mas agendar prioridades”. (Stephen Covey). Autodisciplina e coerência são atitudes importantes para enfrentar desafios. Colocar-se sempre como aprendiz e não se iludir pensando saber tudo, na inconsciência de um auto bloqueio.

Uma atitude altamente significativa é antecipar tendências e pesquisar possíveis acontecimentos, no intuito claro de se assenhorear do futuro, e não impactar com ele, desestruturando-se. O quê realmente importa? Onde a informação precisa? Qual a aplicabilidade? Enfim, estar sempre alerta para os desafios, faz toda a diferença.

Auto estima, criatividade, concentração, senso de humor, disciplina, são alguns itens de suma importância para as pessoas resilientes. Preparar-se para enfrentar desafios e o desconhecido é elencar-se sobre os demais, antecipando e minimizando os problemas inerentes que vem com o novo. Não ter medo do desconhecido, mas ver as mudanças como salutar desafio, como mola propulsora que fatalmente nos colocará em outro cenário, é caminho seguro nesse tempo que se move cada vez mais depressa, e nos sobrecarrega com novas propostas na vida em sociedade.

O impacto nas relações sociais é algo inevitável. Sejamos resilientes para candidatar-nos ao futuro.