Síndrome de Gabriela

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Há alguns comportamentos humanos difíceis de digerirmos por que vai contra a lei do crescimento, via natural que nos faz caminhar em direção à excelência a que todos estamos destinados. Refiro-me à preguiça! Refiro-me ao desalento, essas variantes comportamentais que faz em muitas pessoas, bandeiras onde se escondem, abrigando-se de responsabilidades que rejeitam, ocasionando a si próprias, temporária estagnação.

É cômodo postergar, fugir de responsabilidades com os outros, e consigo mesmo. Tarefas, desafios, trabalhos tantos são encarados por determinadas pessoas como terríveis coisas, preferindo fugir, à encará-los. Esquecem, muitas vezes, que as oportunidades são únicas – como diz o adágio: o cavalo encilhado passa à nossa frente raríssimas vezes, se o perder, perde a oportunidade – Sabemos que o mal da época é a depressão… Doença desestruturadora que nos tira a garra, a força e a vontade da luta. Mas, sabemos igualmente que o melhor antídoto para a depressão é o trabalho. Não existe depressão entre pessoas que trabalham, que estudam, que se doam, que amam e são amadas. Sem essa de achar que você é menor, menos importante, não tão bela ou sem atributos que o mundo valoriza. Temos, todos, a mesma essência, e recebemos as mesmas oportunidades, se não nessa, em outras existências. Oportunidades podem ser ou não aproveitadas. Isso é o que nos situa nos diferentes patamares da vida. O maior ou menor esforço depreendido. Sem essa de seguir à risca a letra da música cantada por Gal Costa: “Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim.. Gabriela… sempre Gabriela”.

Somos artífices de nosso destino. Não são os outros que nos constroem, eles são apenas os instrumentos de nossa construção. Portanto, somos serventes e arquitetos, pedreiros e engenheiros de nossa vida. A obra tem a nossa cara, portanto, ninguém veio destinado ao fracasso ou a engrossar filas de depressivos. Você constrói! Você toca a sua obra. Você dá maior ou menor mobilidade, estética, acabamento, e a situa no tempo da construção. Fuja de preconceitos que são possíveis de mudar, é cômodo ficar como está. Fuja de letras como a do Zeca Pagodinho que diz: “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”

Muito mais importante que o trabalho – motor de otimização – está a Fé! Pessoas que cultuam a fé, que acreditam que ninguém está aqui a passeio, que a vida não é uma viagem de férias… Que há nobre, surpreendente, e transcendental objetivo no viver, essas sim, fogem dessa síndrome deprimente.

Quando acreditarmos que somos dínamos espirituais temporariamente encaixados em um envoltório físico, que desgasta e passa com o tempo… quando acreditarmos que nossa essência criadora é constante, indestrutível e eterna… aí sim, entenderemos que estamos sempre em evolução, em renovação, crescendo e assimilando, se recompondo, evoluindo sempre, indeterminadamente. Sem essa de “eu nasci assim, eu cresci assim, e sou sempre assim, vou ser sempre assim…” Basta de baixa auto-estima! Ninguém deve ter o ânimo decaído, o caráter vascilante. Não! Não, e não! Temos tudo para sermos diferentes, para crescermos… A cada instante vivendo verdadeira metamorfose rumo às condições de perfectibilidade.

Risquemos o fatalismo determinista, ao acreditar que nada possa mudar em nossa vida. Tudo pode mudar! A cada minuto, o vento da renovação assopra, as oportunidades se renovam… basta estarmos atentos e termos coragem de ir à luta. Ninguém vence sem esforço. Ninguém conquista sem suor, dedicação e confiança na vitória. Portanto, mãos à obra! Faça diferente. Beije, abrace, confraternize, elogie… Mude de rua, de estação… Procure outras distrações, tenha outros olhares para as mesmas coisas. Leia outro livro, escute outras músicas, dê atenção a quem não te chamou a atenção. Perceba que a cada novo empreendimento, por mais pequeno que seja, existe poder de transformar alguma coisa em você… Faça! Invente! Nenhum de nós nasceu para perder. Nenhum de nós está nesse cenário do mundo como mero observador, sentado no bando de um veículo, e por uma janela… só olhando! Nós viemos para fazer! Para construir! Para evoluir!

Gabriela??? Somente a novela! Ou as lindas meninas, as maravilhosas mulheres que têm esse belo nome, mas não a síndrome.