HQ

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Enquanto escrevo ainda envolvido pela mística natalina, pelas luzes e incógnitas do novo ano, lembro-me dos meus filhos. Alguns já estão casados, têm filhos. Sou um avô feliz, ainda que meio ausente…
Remete-me à infância deles.
Aos gibis, ao Pato Donald, Mickey Mouse, Homem Aranha… Charlie Brown.
Charlie, um garoto de sete anos, saía diariamente nos jornais do mundo, lido por milhões de pessoas. Foi tema de uma música de Benito de Paula. Seu cachorro, Snoopy, dera nome a uma das astronaves Apollo.

HQ II

Charlie Brown não era apenas um garoto criado por Charles Schultz. Chegou a ser colocado ao lado dos célebres Claudel, Proust, Gide e Sartre.
Schultz justificava o sucesso do ‘filho’: “Ele é real, preocupado, vive seu tempo. Não tem poções mágicas nem se torna invisível, mas não perdeu seu jeito infantil de enfrentar os problemas. Além disso, tem um amor não correspondido…”.

HQ III

Era uma provocação do genial Schultz. As ironias tinham endereço certo.
Provocações de lado, o que vale, realmente, é o efeito que as HQs causaram na criação de meus filhos e de tanta gente.
Elas nos auxiliaram, potencializadas pelo ‘Sítio do Pica Pau Amarelo’, ‘Chaves’, ‘Chapolin Colorado’ e pelos ‘games’.

Ciclo

De repente você se mira no espelho, enxerga manchas, sulcos, rugas.
O cabelo embranquece, enfraquece e, em alguns, desaparece…
Tarefas fáceis, mesmo para não atletas, começam a ficar difíceis.
Num dia você consegue fazer de tudo.
Noutro está envelhecido.
Surgem males, pequenos ou não.
Você se supera, mental e animicamente. A vida continua.

Ciclo II

Entram e saem dias, semanas, meses, anos…
Os desejos de avançar envelhecem, renovam-se, morrem e tornam a renascer!
Os jovens com os seus sonhos de uma vida melhor, sucesso, formar uma família. Os menos jovens contribuindo com as experiências acumuladas.
Almir Sater escreveu: “Ando devagar, porque já tive pressa; levo esse sorriso porque já chorei demais; hoje me sinto mais forte, mais feliz”.

Tragédias

As tragédias de William Shakespeare conduzem leitor e espectador a sentirem-se oprimidos pela maioria delas.
Nenhuma é tão depressiva como ‘MacBeth’.
A alma do personagem é simplesmente destroçada, num crescendo, lentamente.
Lady MacBeth é conduzida por ideias adredemente concebidas, que roubam as suas qualidades e a sua personalidade. Confidente e amante, a mulher é mostrada sem humanidade. Os desentendimentos múltiplos têm seu desfecho no crime.

Tragédias II

Isso ainda se lê, ouve e vê nos jornais e nas emissoras de rádio e TV.
Os MacBeth e as Lady estão no cotidiano das cidades brasileiras, ensanguentando os BOs, abarrotando hospitais, necrotérios e cemitérios.
As diferenças estão no enfoque, mas principalmente na sua geografia e época.
Os personagens são iguais, as motivações semelhantes.

El Cid

Rodrigo Dias de Bivar – El Cid – e Jimena, estão inseridos entre os grandes amantes da história.
Amor de Rodrigo e Jimena é ambientado na Espanha invadida por mouros e as batalhas para expulsá-los.
Apesar de seu grande amor, os momentos entre os dois foram fugazes. É um amor de renúncias, de separações.
O lendário herói é exilado, ela aprisionada em uma masmorra.
É a narrativa do sofrimento, da fidelidade e resignação de uma mulher e do caráter, da honra, lealdade, coragem e nobreza de um homem.

El Cid II

El Cid, também chamado El Campeador, apesar das incompreensões e armadilhas dedicou sua vida à Espanha.
Seu brado, “Por Deus, pela Espanha e pelo Rei”, ecoava no início do combate. Exercia liderança e magnetismo entre os soldados, como o respeito e temor sobre seus inimigos.
Ferido mortalmente por uma flecha moura, ajudado pela amada e pelos amigos foi amarrado em seu cavalo seguindo à frente do exército, para o seu combate final com os muçulmanos.

‘Especiezinha’ 1

Referindo-se ao ser humano, João Ubaldo Ribeiro escreveu ‘especiezinha’. Aduziu ser a única forma de vida cujos indivíduos estão prontos a matar seus semelhantes. Geralmente, por insatisfações consigo mesmo.
Verdadeiramente, somos capazes de atos grandiosos ou infames.
A evolução tecnológica, que nos insere num espetacular mundo de aprimoramento de antigos e a captação de novos conhecimentos, tem sido incapaz de nos desviar das barbaridades do cotidiano.

‘Especiezinha’ 2

A imagem de alguns seres humanos no espelho não é animadora. Somente não voltam à barbárie, por toparem com almas elevadas, caridosas, generosas, em palavras e ações, que os levam à reflexão e a retomarem o bom caminho.
É necessário lutar para que não sejamos apenas individualidades, que não vejamos no nosso semelhante potencial rival, senão partícipe desta imensa aldeia global.
Devemos ser capazes do melhor, brigarmos para que o pior não nos aflija, derrube e nossa natureza deve refletir o que de melhor existe no ser humano!
Pode ser um projeto de cada um para o novo ano!

Claire

Na internet a imagem de Claire Koch, norte-americaninha que deixou nosso Natal com mais jeito de Natal.
Participando de festa natalina da escola, espontaneamente, passou aos pais surdos-mudos, através de sinais, as emoções da celebração.
A loirinha e pequenina Claire não deixa que percamos a fé nas pessoas, no espírito natalino e no amor.
2014

Um abençoado Ano de 2014.
Que ele leve a todos a se encontrar com a Face do Criador e Ela os acompanhe ao longo do ano.
Que seja trilhado na paz, fraternidade e saúde.
Que as luzes do Natal passado e do próximo réveillon continuem iluminando o caminho dos nossos familiares, amigos, das nossas amigas e de todos os leitores da coluna, nos próximos 365 dias!
Até a volta, no primeiro sábado de março, se Deus quiser!