Indústrias

0
116

Encerrada a Fenamilho haverá monumental desafio à administração pública: a reindustrialização do município.

Entre 1960 e 1980, várias indústrias nasceram ou se revitalizaram, no meio do boom das lavouras de trigo e soja. Encerrado, minguaram, fecharam, ainda que algumas resistissem, diversificando sua planta de atividade.

Imagino que na ambiciosa premissa do prefeito Valdir Andres de fazer uma administração de ‘40 anos em 4’, conste a reindustrialização.

Dentre os benefícios, o aproveitamento dos jovens, anualmente colocados no mercado. Sem perspectivas, deixam o município, buscando horizontes.

Empresários, instituições acadêmicas, de serviço, pensadores, podem se incorporar nessa transformação de Santo Ângelo em um município multi-industrial.

Penso que nem a utilização constante da ponte-aérea Santo Ângelo-Porto Alegre, por sua indicação à presidência da Famurs, impossibilitará Andres de viabilizar esse projeto econômico-social.

Ao contrário, deve facilitar na captação de investidores, no pleito ao Estado-Federação melhorias na infraestrutura, em energia, comunicações e aeroportos, gargalos dessa parte do RS, apontados pelo presidente da Fenamilho, Alberto Toscani, no discurso de abertura.

Especulando

Eleições vêm aí. Será vez de deputados estadual e federal.

Algumas candidaturas, na boca do eleitor, como as de Eduardo Debacco Loureiro, recém-saído da prefeitura, após bem sucedidos 8 anos, Mario Nascimento, Réus e Cajar Nardes, sem esquecer aqueles buscando reeleição e votos no município.

Desmanche

Prestes a completar seis anos, a chamada lei dos desmanches continua patinando.

Claro não por culpa do ex-deputado e hoje conselheiro do TCE, Adroaldo Mousquer Loureiro, e sim pela burocracia, falta de mecanismos, ainda em implantação.

Quando formulou a lei, o então deputado pensava em ajudar a reduzir os roubos e furtos de veículos.

A lei é boa, mas choca-se contra esses detalhes que cabem ao Detran solucioná-los.

Enquanto isto os problemas se multiplicam.

O incrível é que sancionada em julho de 2007, permaneceu engavetada até 2011.

Toques

Santos Aberto Rebelato Jr. informando que o Amambu Café, Sarmento Leite, 830, dos irmãos Marisa e Marcos Meneghetti, continua um sucesso. Ponto santo-angelense na Capital, sexta (26) mais de 30 estiveram lá.

Dia desses, apareço!

**** Dias atrás se reuniram os presidentes do TCU, Augusto Nardes, da CNM, Paulo Ziulkoski e o consultor da entidade, Mario Nascimento. Trataram de ações articuladas entre as instituições, na fiscalização de contas, gestão pública e pacto federativo.

Represália

Emenda constitucional concedendo poderes ao Congresso semelhantes aos do Supremo Tribunal Federal, no mínimo provocativa.

Pela proposta efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo STF fica condicionado ao legislativo.

PEC aprovada, simbolicamente, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vem sendo vista como represália às condenações no mensalão.

Coincidência ou não, fazem parte da Comissão deputados condenados, Zé Genoíno e João Paulo Cunha.

Se for adiante será instalada Comissão Especial, em 90 dias.

Poderes são independentes. Cheirou a golpe!

Atitudes não republicanas, como as da CCJ da Câmara, passam a ideia de que o Brasil é uma republiqueta!

Congresso prefere curar a azia nos seus intestinos, a tratar temas relevantes, como as reformas política e tributária.

Por briga sem futuro, enquanto finalizo a coluna ouço falar em panos-quentes…

Ser missioneiro

Perguntei ao presidente do TCU, Augusto Nardes, o que é ser missioneiro?

“Respondo sintetizando momentos da chegada de meu trisavô às Missões. Pedro Ribeiro Nardes representa o protótipo das gerações de futuros brasileiros na figura do tropeiro, desbravador e visionário.

Nascido em Paranapanema, aproximadamente em 1791, foi casado com sua sobrinha Maria dos Santos tendo nove filhos.

Seu sangue indígena foi decisivo quando percorreu as matas para chegar ao seu destino e alargar horizontes. Fez parte da primeira geração da família.

Homem inquieto, determinado, não se entregava na primeira refrega. Ao desenvolver na sua fazenda plantações, tinha a intenção de preparar um futuro às próximas gerações.

Na Guerra dos Farrapos, de cujos eventos certamente participou, batizou uma neta em Lages, divisa do RS e SC. Portanto, tropeava entre as missões e São Paulo.

Seus méritos começam pela sua saga em Bauru. Como tropeiro, transformado em tenente, foi um dos que ajudaram na reconstrução das Missões. Fazia o vai e vem com tropas de quinhentas mulas ou com mil cabeças de gado entre RS e SP, muitas vezes indo até Minas Gerais para reencontrar os rastros de seu antecedente, Leonardo Nardes, descobridor das minas de ouro de Caeté.

Percorrendo os caminhos do Sul, encontrou sua identidade nas coxilhas das missões, planícies onduladas que desafiavam um campeiro que saiba montar bem.

Foi o elo entre a família que ficou em Itapetininga, os que passaram pela Lapa e os que se estabeleceram em Santo Ângelo. Por volta de 1840, começou a planejar a sua vinda definitiva para Santo Ângelo.

Documento encontrado na Biblioteca Nacional, de 1847, comprova que nesse ano estava abrindo estradas nas matas entre os campos de ‘Jiruá’. Poderia ser o início da ocupação do local por tropeiros vindos do Paraná e São Paulo.

Pedro havia deixado de tropear e fixado residência nas Missões. Santo Ângelo estava sendo reocupada, por incentivo do Império Português.

Símbolo do tropeirismo em minha família deve ter feito dezenas de jornadas entre o Sul e Minas Gerais. Em tropeadas de quatro, cinco meses, encontrava reveses em seu caminho. Para transpô-los, contava com os atributos característicos dos grandes homens de sua época: valentia, coragem, determinação para enfrentar os obstáculos, como os castelhanos que não aceitavam perder suas terras, ou índios lutando para não entregar o seu território, tomado em período que precede às tropeadas de Pedro Nardes.

Os tropeiros lutaram para formar o Rio Grande do Sul sobre as patas de seus cavalos e lanças nas mãos. Se não o tivessem feito, talvez hoje não existisse a cultura Gaúcha, nem o Estado.

Foi o legado desses grandes homens, aqui representados por Pedro Ribeiro Nardes”.

Reflexão de fim de semana

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más e sim por aquelas que permitem a maldade.” (Albert Einstein).