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30 anos depois de seu lançamento, numa quarta-feira, 15 de junho de 1983, Jornal das Missões alcança enorme parte do objetivo inicial de seus idealizadores.
Com participações esporádicas, sou observador de sua ascensão.

Cheguei ao jornal em junho de 1984, pouco antes de ele completar 1 ano. Era um momento singular, de modificações. Passei bons momentos na sua editoria e não fossem os compromissos em Porto Alegre, teria ficado.

Nesse curto período, apressamos a ideia inicial de torná-lo conhecido por sua atuação no contexto da comunidade e como formador de opinião.

Foi um tempo de trabalho incansável ao lado de Adroaldo e Neiva Loureiro, Heron Filiero, Isac Feijó, Fernando Gomes e Clovis Kuntz, dentre outros.

Voltei em 1987. O jornal evoluía cada vez mais inserido na coletividade, agregando novos profissionais e maquinários, ainda na Avenida Brasil defronte à Rádio Santo Ângelo.

Três décadas depois, em sede própria, é uma afirmação, comandado por Eduardo, Neiva e Robriane Loureiro, editado pelo jornalista Tiarajú Golsdschmidt.

O complexo, porém fascinante, sonho de tocar um jornal revive, ano após ano. Seu sucesso é irrecorrível, debaixo da ética, linguagem direta, criativa, respeito ao leitor e à comunidade regional.

 

Filosofando I

Gosto da teoria das ideias, do filósofo Platão, que na esfera moral confere à ética uma ascética grandeza.

No ‘Górgias’, fala das manchas causadas pelos prazeres dos sentidos, “que deixam na alma do homem as suas marcas indeléveis”. Como resultado essas manchas “serão exibidas pela alma, sem disfarces, aos juízes do Além”. Trata-se da “ideia suprema do bem que deve constituir o modelo primeiro de todas as ações humanas”.

Filósofo delimita as fronteiras entre bem e mal, temática recorrente nas tragédias de William Shakespeare. Para o dramaturgo, o bem é o mal e o mal é o bem. Isso é visto em ‘MacBeth’.

Voltando ao ‘Górgias’, tema central é a retórica que para os gregos do tempo do filósofo era muito mais do que o uso imoderado da palavra para fins de aliciamento, extravagância ou autoafirmação. Tratava-se duma atividade política abrangendo a preparação técnica, cultural e humana dos cidadãos.

Hoje continua em evidência. A retórica é utilizada por pensadores, advogados, políticos, nas pequenas e grandes cidades, especialmente em Brasília!

O que de melhor os filósofos e seus heróis deixaram de lição é que o bem deve, sempre, imperar.

 

Filosofando II

Amor e ódio são ou não faces de uma mesma moeda? Questão me veio à cabeça pela sucessão de crimes passionais, inclusive em Santo Ângelo.

Tema antigo foi mostrado em clássicos da literatura e da dramaturgia.

Lembro-me de ‘Otelo, o Mouro de Veneza’. Essa tragédia shakespeariana demonstra que nem sempre se mata por algo verossímil. Desdêmona não traia a Otelo.

Na ficção e na vida real, se mata por amor e ódio.

Ou será que se mata por ódio ao amor?

 

Segurança

Sequestro ocorrido dias atrás em Sapucaia demonstra a maneira como a segurança do Estado encara essas ocorrências: com excessiva lhaneza. Ainda assim, não se poupou a vida da vítima ou do sequestrador. Homem acabou se suicidando. Mulher morreu no hospital dias depois.

Tempo decorrido entre o início do sequestro e seu desfecho, em que a polícia julgava pudesse negociar a rendição, foi demasiado, embora a PM o considere necessário.

Equipamentos e meios utilizados por outras polícias foram ignorados pelos mediadores na intenção de poupar vidas. Mesmo sem invadir ou disparar, resultado foi funesto.

Talvez possa levar o Comando da BM a revisar métodos, pois apesar das boas intenções acabou em tragédia.

Política dos atuais gestores da Segurança gaúcha parece-se com a de anos atrás quando ao final do sequestro de uma lotação, secretário da época saiu abraçado ao sequestrador!

 

Dilma

Rápida análise aos 57% de conceitos ótimo e bom a Dilma: mesmo altos, não garantem reeleição tranquila. Cresce Aécio Neves.

 

Mensaleiros

Lembram-se da dúvida, se os mensaleiros seriam ou não presos?

Novo ministro do STF, Luiz Barroso, se junta aos que ‘condenam as condenações’. Mesmo dizendo que não estudou o processo, arriscou considerar as penas ‘duras’.
Contradição pode esclarecer a dúvida e abrir caminho à procrastinação.

Nesse caso ficariam livres da prisão Zé Dirceu, João Paulo Cunha e Zé Genoíno. Igualmente preocupado o presidente do STF, Joaquim Barbosa, comentou: “As decisões do STF podem ser mudadas por condenados…”.

É animador a Justiça Federal ter aberto processo contra Dirceu e outros réus por improbidade, objetivando reaver valores desviados para favorecer parlamentares.

 

Ser missioneiro

Quando me propus a editar a série a questão proposta aos convidados era: ‘ser missioneiro é ter nascido, viver no território, ou trata-se de um estado de alma?’.

Pelos depoimentos, é tudo isso, mais um pouco.

Prestes ao seu encerramento (se bem que alguns convidados ainda não tenham enviado seus relatos) me coloco nessa condição de missioneiro.

Nasci em São Borja, parte das originais reduções missioneiras e berço de figuras ilustres como Getúlio Vargas e João Goulart.

Banhada pelo lendário rio Uruguai foi lá que o ataque traiçoeiro deflagrador da Guerra do Paraguai aconteceu.

Covarde, exigiu resistência heroica, mas inútil, pelas proporções de forças. Naquele 10 de junho de 1865, 12 mil soldados paraguaios atacaram a 650 são-borjenses.

Nem a ação do tenente-coronel João Manoel de Mena Barreto, comandante do 1º Batalhão de Voluntários da Pátria, evitou o cerco que durou dois dias seguido de saques e confrontos.

Num deles morreu o médico José Ferreira de Moraes, tio-avô de minha mãe, que tratava dos feridos.

Episódio faz parte da saga das cidades forjadas nas antigas Missões da Companhia de Jesus.

Continuo aguardando os últimos depoimentos!