Legalidade

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Sexta-feira, 25 de agosto de 1961.
Recado recebido pelo governador Leonel Brizola, do seu secretário de imprensa, Hamilton Chaves, informava que o presidente Jânio Quadros renunciara.
Com apoio da igreja, classe média e do exército, Jânio surpreendeu com a atitude.
Também surpreendente posição das classes dominantes e setores do exército, colocando-se contra a posse do vice-presidente, João Goulart, em missão oficial, na China.
Brizola requisitou a rádio Guaíba, tornando-a emissora oficial do ‘Movimento da Legalidade’.
Dos porões do Piratini brotava o som irradiado por uma cadeia de emissoras e postos de alto-falantes.
Discursava em meio à leitura de manifestos, de três em três minutos e incitando a população a resistir. Tudo pelo direito de o presidente constitucional tomar posse.
Foram tensos 14 dias, até que JoãoGoulart tomasse posse em 7 de setembro.

Terror
Fosse escritor de horror, cogitaria que vídeo e diálogos, hoje fazendo parte do inquérito e publicados na imprensa, seriam uma forma de Leandro Boldrini e Graciele Ugulini, pai e madrasta do menino Bernardo, 11 anos, assassinado em abril, forjar álibi para sua futura morte. Também pode ter sido feito para mostrá-lo como desequilibrado e interná-lo.
Os 13min51s do vídeo (apagado e recuperado por peritos), mostram um ambiente de intrigas e ameaças, de assédio, maldade, crueldade, com dois psicopatas, ofendendo, maltratando-o psicológica e fisicamente. Assassinando-o lentamente!

Terror II
Os dois celerados se revezavam em xingamentos e castigos. Depois da tortura moral e física, dopam-no com uma frieza somente menor da que levou a madrasta a matá-lo, cobri-lo com soda cáustica e enterrá-lo.
“Trouxa, retardado, esse guri é um louco” – o conceito mais brando que a assassina fazia dele.
“Socorro, socorro, socorro” – o lancinante e recorrente grito de ajuda do indefeso Bernardo.
Frase de Graciele – “O teu fim vai ser igual ao da tua mãe” –, revela seus sentimentos em relação à mãe (que teria se suicidado) e ao menino.
Trata-se de caso policial sujeito a desdobramentos, inclusive a reabertura do processo envolvendo a morte de Odilaine Uglione.

Discriminação
Esses nojentos atos de racismo, sub-reptícios ou escancarados são condenáveis.
Nestes últimos anos, com a televisão, redes sociais e, principalmente, pela recorrência, são mais conhecidos do que antes.
Com uma legislação que os criminaliza, hoje os discriminados podem conseguir reparação e os racistas levados ao banco dos réus.
Infelizmente nos casos anteriores, multas pecuniárias e suspensões aplicadas, acabaram sendo relaxadas, estimulando a reincidência.

Discriminação II
Interessante seria a convivência pacífica, no futebol ou nas ruas e a diferença de pele não existisse.
Quanto às metáforas, ditas minimizadoras do mau tratamento, como ‘negro de alma branca’, ‘afrodescendente’ e demais inseridas no politicamente correto, são tanto ou mais discriminatórias do que o ‘macaco’ proliferando dentro e fora dos estádios de futebol.
É preciso um fim ao preconceito.
Afinal, este é um país de mestiços!

Patrulhamento
Em tempo de campanha política o disse-disse corre solto. Cresce o patrulhamento sobre os comunicadores (rádio, jornal ou outras plataformas), direto ou indireto. O profissional é tachado de petista, progressista, tucano, comunista, enfim, você é todos os partidos ou contra um deles.
Patrulhamento vem de diversos lados, alcança praticamente a todos, em qualquer ponto do Brasil, das grandes às pequenas cidades.
Francisco Zilmar Pereira – o Chico Pereira –, amigo que fiz nas minhas andanças por rádio e jornal no Vale do Gravataí, escreveu sobre isso, dias atrás no seu blog.

Patrulhamento II
Como o blogueiro e veterano editor de revista e jornais em Gravataí, Cachoeirinha e arredores, com maciça leitura ali e fora da região, digo: não percam tempo!
Estou na lida há meio século, implantei jornais e emissoras de rádio em várias regiões do Estado. Atuei como jornalista e radialista na Capital e diversas cidades gaúchas e conquistei amigos pelo respeito que dedico a tudo e todos, dentro e fora da política.
Sempre fui apartidário, não apolítico.Chico P, como o chamo, está com a razão.

João
Médium João de Abadiânia estava dias desses na televisão. Agora saiu em Veja (São Paulo). Entrevistadores, além dos relatos das cirurgias – executadas sem cobrar um tostão –, são pródigos em dubiedades.
João Teixeira de Faria continua sendo tratado como quando surgiu: santo e demônio. Indiferente, continua com suas cirurgias, em ricos e pobres. Entre as personalidades que se trataram com ele, Lula da Silva, Dilma e Xuxa.
Quando o conheci no início dos anos 1990, recém havia tratado a atriz Shirley MacLaine de um câncer.

Pesquisas
Números reavivam o ‘Volta Lula’, no lugar de Dilma. Prazo para trocas expira dia 15.
Diz-se, Aécio poderia renunciar e apoiar Marina.
Governo estaria mandando PF apressar investigação sobre jatinho, acreditando que resultado mexeria nos índices. Dilma associa Marina a Jânio e Collor, que sem apoio político, renunciaram.

Reforma
Alguns perguntam a procedência do jatinho em que se espatifaram Eduardo Campos, assessores e tripulantes.
Outros sugerem que além da denúncia de uso do caixa 2, para pagar o jato, se questione o uso de aviões da FAB e cartões corporativos pela presidente-candidata.
Tudo isso desnuda necessidade de uma reforma política. Quesito indispensável: fim da reeleição.

FHC
Ex-presidente FHC rebatendo críticas da presidente Dilma de que o governo do PSDB quebrou o Brasil três vezes: “Agora vejo o motivo de por que Dilma Rousseff não conseguiu obter grau de pós-graduação na Unicamp. Ela entende pouco de economia e mesmo de números. De onde tirou tal falsidade? Por essas e outras o governo Dilma Rousseff perdeu credibilidade: em vez de informar faz propaganda falsa”.
Lembrou, ainda, que o Brasil estava em moratória desde o governo Sarney. Reconhece ter ido ao FMI “mas com a anuência de Lula para que seu governo reagisse em 2003, como fez”.