Mineiraço

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Foi pior que o Maracanaço de 1950, o Mineiraço de 2014.

Foram 7 a 1 tristes, humilhantes, catastróficos, escancarando as diferenças de encarar futebol.

De um lado a Alemanha, organizada, bem formada técnica e animicamente.

Doutro o Brasil, de raros craques, nervoso, desorganizado, sem meio-campo, mal escalado por um técnico turrão e ultrapassado.

Resta contabilizar os prejuízos técnicos, morais e políticos.

Neste sábado, levaremos o prêmio de consolação?

 

Enchentes

Na TV, nas redes sociais, lá estavam as imagens da enchente que colocou fora de casa mais de 20 mil gaúchos. Entre estas cidades em que parte da população foi desterrada de suas casas, estava São Borja.

Lá nasci e assisti as primeiras e violentas altas do rio Uruguai. Águas invadiam o Passo, as casas, como agora.

Vendo casas alagadas, gente desabrigada, pensei em momentos mais felizes, nada trágicos.

 

Enchentes II

Lembrei-me da casa onde nasci na Rua Aparício Mariense, dos meus avos maternos, Diocleciano e Adelina.

Recordei a praça XV, Prefeitura, ‘A Preferida’, onde comprava livros e gibis, o colégio das irmãs Sagrado Coração de Jesus.

O ‘João das Balas’ que vendia os puxa-puxas da sua mãe dona Chininha, os cinemas Municipal e Variedades, do ‘Bar Quitandinha’, da Georgina e Isolina, a Farmácia do Mauá, o ‘Mudinho’ que dirigia seu automóvel imaginário pelas tranquilas ruas da cidade.

 

Enchentes III

Lembrei-me dos clubes Comercial, Recreativo e Fraternidade, da ZYF-2, rádio Fronteira do Sul, onde assistia a um programa regionalista dominical, ao vivo, apresentado por Heitor Pithan.

Dos jogos nos estádios General Vagas do Inter, Vicente Goulart, do Cruzeiro, das gasosas, laranjadas e guaranás fabricados pelo Sperandio.

Tudo vem à cabeça enquanto lamento as cenas atuais em que a cidade foi assolada por mais uma enchente.

Mas tudo passará, o rio está baixando.

Permanecerá a solidariedade marcante nessas ocasiões trágicas.

 

Choro

Estou velho, mais chorão.

Sempre fui, mas choro escondido.

Pelas mazelas da população, pela falta de amor, solidariedade, pingo lágrimas.

Faço isso também pelos absolutamente indefesos, à mercê da sorte de encontrar alguém que os acolha e lhes dê carinho, amor e garanta sua subsistência.

Refiro-me aos animais.

 

Choro II

Esses têm me feito rir e chorar.

Nos últimos anos perdemos nossas gatinhas, nascidas no nosso quintal, trazidas para dentro de casa e com o passar dos anos (depois de nos terem oferecido e recebido amizade, fidelidade e carinho), foram morrendo.

Dias desses li, me emocionei, sobre um elefante acorrentado por 50 anos e que chorou ao ser libertado e devolvido ao seu habitat.

 

Choro III

Enquanto escrevo a coluna, me emociono com postagem na internet.

Morreu ‘Alemão do Circulus’, cachorro de rua, ar bonachão que se tornou ícone na cidade de Pelotas. Foi várias vezes matéria de imprensa.

Avançado em anos, Alemão foi morar numa parte especial do Céu onde ficam cães e gatos vivendo em harmonia para sempre.

Ou será que eles reencarnam? Muitos defendem que sim.

 

Desabamento

Desabamento de Viaduto de BH é prova lapidar da inconsequência e da roubalheira institucionalizada no Brasil.

Obra superfaturada totalizava 6 milhões de reais acima do valor planejado. Distorções eram antigas, apontadas desde 2012, pelo TCE mineiro.

Certamente ninguém será preso e as bandalheiras lá e em todos os cantos da federação, prosseguirão.

 

Beira-Rio

Premiado jornalista, escritor, gremista e meu amigo desde os idos tempos de Ijuí – ele no ‘Cotrijornal’ eu no ‘Jornal da Manhã’ –, Moises Mendes, se rendeu à arquitetura do novo Beira-Rio.

No seu artigo, em ZH, de texto impecável: “Ficou provado nos cinco jogos aqui. O Beira-Rio à noite com aquela abóboda de folhas verticais, todo iluminado, é imbatível. Vistas por dentro, as folhas da cobertura aparecem nas fotos como se fossem pranchas de surfe com desenhos da arte marajoara”.

No encerramento, comemora: “O clubismo não pode chegar ao ponto de nos embrutecer. Que bom que o mundo pôde apreciar o estádio do meu neto Joaquim. E que a Copa tenha produzido o milagre de fazer com que o Beira-Rio acolhesse, sem sobressaltos, até os azuis”.

 

Barbosa

Para a satisfação de alguns, decepção de muitos, o ministro Joaquim Barbosa está se despedindo do STJ.

Adiou para agosto a saída. Em entrevista voltou a acusar integrantes da Corte de ajudar condenados do Mensalão.

Foi claro: “Aqui não é lugar para pessoas com vínculo a determinados grupos, nem para privilegiar determinadas orientações”.

Adiante disse que isso é muito nocivo à credibilidade do Tribunal e também à institucionalidade do país.

Barbosa declarou que o Supremo foi usado para fins privados.

 

Real

Comemoração dos 20 anos do plano Real rendeu alfinetas do ex-presidente Fernando Henrique a Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Chamou Lula da Silva de ‘descrente’, acrescentando que Dilma tem dificuldades para frear a inflação.

Plano, lançado em julho de 1994, tirou o país de uma inflação mensal entre 20% e 30%, criou nova moeda, permitindo uma vida melhor a população.

FHC lembrou que Lula da Silva não considerava o Real apenas um sonho, mas um pesadelo. “Se enganou” – alfinetou.

 

Diversas
Associação de Veículos Antigos de Santo Ângelo virou Utilidade Pública. Decreto, tutoria do vereador Arlindo Diel, foi aprovado e facilitará as atividades da Associação, como auxílios a sua manutenção e atividades.

*****Oito candidatos disputam o Governo estadual: Tarso Genro (PT), Ana Amélia (PP), José Ivo Sartori (PMDB), Vieira da Cunha (PDT), Roberto Robaina (PSOL), Humberto Carvalho (PDC), Edison Bilhalva (PRTB) e João Carlos Rodrigues (PMN).

*****Serão dois santo-angelenses na disputa de vaga na Assembleia, Eduardo Loureiro (PDT) e Pedro Réus Nardes (PP). Vice-prefeita Nara Damião (PMDB), desistiu.

*****Afinal há ou não excesso de CCs na Câmara de Santo Ângelo? Vereador Vando diz que há. Cúpula do Legislativo nega!