Oliveira

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Na retrospectiva de eventos ocorridos neste mês, ao longo dos anos, nos quais direta ou indiretamente me vi envolvido, encerro lembrando o político e notável comunicador, Oliveira Júnior. Anteriormente tratei do episódio da Legalidade (25 de agosto de 1961); fundação da Rádio Santo Ângelo (15 de agosto de 1947); da neve (20 de agosto de 1965) e do suicídio de Getúlio Vargas (24 de agosto de 1954).

 

Oliveira II

Ano de 1964. Assume a gerência da Rádio Santo Ângelo José Alcebíades de Oliveira, o Oliveira Júnior.

Cheio de gás traz novas ideias. Experiente em rádio, com passagens pela própria ZYF-6, e pelas rádios Passo Fundo e Farroupilha, projeta mudanças.

Convidado, aceitei ser colaborador na emissora. Já empregado, ganhando razoavelmente, fiquei recebendo cachês que ajudavam nas atividades sociais, até o início de 1967, quando contratado.

Melhor pagamento foi a experiência adquirida de 1964 a 1968. Fora da emissora, mantivemos nossa amizade. Voltamos a trabalhar juntos em 1978, na Rádio Sepé. Naquele ano concorreu e se elegeu deputado federal.

 

Oliveira III

Oliveira Júnior, por décadas, foi autor e intérprete dos acontecimentos, como comunicador e político. Pacífico, conciliador, afável, jamais o vi agindo de maneira rude.

Em 20 de agosto de 1985, moço, aos 53 anos, inopinadamente saiu de cena.

Estivera com ele em 1984 o entrevistando no seu gabinete de diretor de Eletrificação Rural da CEEE, na Travessa Leonardo Truda, centro de Porto Alegre. Estava angustiado, inadaptado. Não gostava de postos executivos, mas da política, da comunicação.

Pesava, também, o inesperado revés de 1982, quando não se reelegeu. Mostrava-se preparado às eleições de 1986. Pensava voltar ao Congresso, retomando seu trabalho em benefício regional. A BR-392 era sua grande luta.

Oliveira foi homem do povo, com quem se comunicava e entendia como poucos.

 

Raulzito

Agosto também marcou o adeus ao ‘Maluco Beleza’.

Raul Seixas, pregador da sociedade alternativa, pensador, poeta, compositor, cantor, nascido em 28 de junho de 1945 (para minha honra mesmo dia e mês em que um ano antes nasci) faleceu a 21 de agosto de 1989.

Pioneiro do rock no Brasil, com ‘Raulzito e os Panteras’, deixou clássicos inesquecíveis como ‘Eu nasci há 10 mil anos atrás’, ‘Tente outra vez’, ‘Maluco beleza’, ‘Metamorfose ambulante’ e ‘Gita’, dentre tantos.

 

APAES

Aos pais cabe o poder de escolha onde colocar seus filhos.

Esse o maior argumento contra a inquietante proposta do deputado petista, José Pimentel de extinção das APAES.

Alunos com necessidades especiais seriam transferidos às escolas regulares que, na opinião de especialistas, professores e usuários, não teriam as condições necessárias.

É mais um tema polêmico para ser analisadas profundamente as suas desvantagens.

Estranho é que a inclusão da proposta de extinção ocorreu após o Plano Nacional de Educação ser aprovado. Originalmente não tratava da extinção das APAES, mas valorizá-las.

Não pode ser esquecido o trabalho que elas têm prestado.

 

UNACOM

Crescem possibilidades de Santo Ângelo instalar Unidade de Alta Complexidade em Oncologia.

Sua importância foi debatida na Câmara Municipal. Conforme os vereadores Vinicius Makvitz, Pedro Waskiewicz e André Marques, trata-se de uma necessidade e o município tem condições e locais para implantá-la.

 

Médicos

Importação de enorme contingente de médicos cubanos está sendo olhada por vários ângulos, principalmente político-ideológico-filosófico.

Quem ataca teme possam ser arautos da ditadura castrista.

Quem defende, reclama da má vontade, acusando de homofóbico a quem considera as médicas ter caras de domésticas, sem reconhecer a necessidade de médicos às regiões Norte e Nordeste, pois conforme o Ministério da Saúde, resposta de profissionais daqui ficou abaixo das necessidades.

Mais polêmica: há testemunho de médicos brasileiros inscritos e não chamados.

Recai sobre os 4 mil médicos a dúvida da sua capacitação, o custo, até 2014, de 511 milhões de reais ao governo brasileiro, pagos ao governo cubano – via Associação Pan-americana da Saúde – que os repassará.

Formulação dá conotação de oficializar remessa de milhões de ajuda ao regime cubano, pois apenas entre 20% e 30% ficariam com os médicos.

 

Médicos II

Se tem fundamento, somente ficaremos sabendo mais adiante.

Mesmo que o objetivo seja atender o programa ‘Mais Médicos’, não é caso de pagar para ver. Pede transparência, calma e caldo de galinha…

Se inevitável, que os médicos cubanos recebam dos irmãos Castro, pagamento bem maior do que noticiado e, cumprida a missão, retornem às cálidas águas do Caribe!

Espera-se, resolvida a falta de médicos, sejam construídos mais hospitais, devidamente aparelhados e ampliado o número de postos de atendimento em todos os estados.

Somente se faz saúde com médicos e hospitais, estes não importáveis!

 

Macondo

É quarta-feira, o sol voltou timidamente, depois de uma semana de chuva constante, muito frio e os problemas decorrentes. Cidades ribeirinhas registram flagelados e mortes. Há desmoronamentos e rodovias bloqueadas. Autoridades em capitais e cidades do Sul entram e saem anos, ficam em pânico com os efeitos devastadores.

Certa vez o governador Luiz Henrique, de Santa Catarina comparou os danos das inundações no seu Estado a ‘Macondo’. Hipérbole utilizada pelo governador dimensionava as enchentes de 2008, que resultaram em mortes e cem mil desabrigados.

 

Macondo II

Ele temia que Santa Catarina acabasse como a cidade – descrita surrealisticamente, por Gabriel García Márquez, no seu livro ‘Cem Anos de Solidão’ –, “arrasada pelos ventos e desterrada da memória dos homens, depois de 4 anos 11 meses e 2 dias de chuva”.

Para que a realidade não imite a ficção, é necessário atenção dos governos municipais, estadual e federal.

É hora de essas recorrentes enchentes serem evitadas com obras e a proibição de construir em encostas e locais reconhecidamente de risco.

Não se pode brigar com a natureza!