Panelaço

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Nestes dias em Santo Ângelo, o que mais presenciei foram problemas envolvendo o administrador púbico. Não que tenham sido causados pela atual administração, mas que vieram a estourar nela.
Um deles é a determinação do TCE de cortar o bônus-alimentação, acatada pela Prefeitura, causando preocupação entre os beneficiados.
O beneficio de R$ 163,39 favorece aposentados e pensionistas desde a administração de Adroaldo Loureiro, acostumando-se a tê-lo no contracheque mensal.
Aceita de pronto a decisão do TCE, sob pena de a Prefeitura incorrer em sanções, se até o final do mês não for encontrada uma solução conciliadora, o Natal de boa parcela de servidores públicos inativos será bem menor do que em anos passados. Ainda piores serão os meses seguintes, com o iminente desaparecimento do benefício.

Panelaço II
Estive no ‘panelaço’ na segunda, 17, e conversei rapidamente com o presidente Volmari Carneiro, desolado com as consequências decorrentes da medida. O ‘panelaço’, visto de fora, parece ter a força necessária para que uma medida contemporizadora seja encontrada com a união dos sindicatos envolvidos, inativos e da Câmara Municipal.
Formas para tanto existem. Uma delas pode ser a mudança da lei, redigindo uma nova que contemple o abono, sob nova nomenclatura, sem ferir os preceitos legais. Aventa-se, igualmente, a incorporação do bônus-alimentação ao salário dos servidores, que hoje consomem mais de R$ 114 mil dos cofres públicos, mas representam uma injeção mensal de dinheiro no comércio da cidade. De atentar-se à representatividade desses ganhos aos beneficiários algo em torno de 20% do que recebem mensalmente.
De uma maneira ou outra deverá haver uma saída legal para o impasse.
Ao menos acho.

UPA
Outro problema que aflige aos santo-angelenses, com reflexo direto no poder público, é a instalação da UPA. Nesse impasse criado por não haver recursos para colocá-la em funcionamento, faltam posições que favoreçam o seu aproveitamento reduzido. Se não há dinheiro para a UPA 2, deve haver para a 1. Uma consome recursos que o Município não tem e a outra, como se diz na gíria, seria ‘mamão no mel’ e resolveria grande parte dos problemas do setor.

UPA II
Claro não falo aqui em vestir um santo e desvestir outro. Não se pode nem de longe pensar em deslocar recursos do HSA, que começa a mostrar toda a sua força, cumprindo suas finalidades como se deseja. O ideal seriam os dois funcionando. Nesse sentido, são necessárias força e vontade política para decidir. Esquecer a paternidade da UPA, mas sim a sua necessidade e o que ela representa na sempre combalida saúde pública é um imperativo. E o caminho apontado parece ser o de diminuir o tamanho da UPA de 2 para 1 e tocar em frente.
Com a palavra, o prefeito Valdir Andres, que pode ter como aliado nessa empreitada o deputado recém-eleito Eduardo Loureiro, e juntos baterem nas portas do Ministério da Saúde, para desatar o nó.
Não é pedir muito.

Petrolão
Admitam ou não os leitores da coluna, o petrolão abasteceu muitas campanhas políticas. No rol dos beneficiados, PP, PMDB e PT. Esse escândalo de corrupção que a PF investiga, cognominado de ‘Operação Lava-jato’, conhecido dos brasileiros pelo que de nefasto proporcionou ao País e à sua maior estatal, acabou por enfraquecer a credibilidade do governo federal, mesmo que a presidente prometa combater a corrupção a cada vez em que trata da operação.
Haja o que houver, nada será como antes desse escândalo respingando no governo e seus assessores graduados. A verdade é que a Petrobras foi desmoralizada, desvalorizada, mesmo que seus executivos reiteradamente neguem estar envolvidos.

Petrolão II
É necessário ir fundo, aprovando a quebra dos sigilos, especialmente bancários, em particular do tesoureiro-geral do PT, João Vaccari Neto, que tem muito a contar, tido como o operador do esquema, capaz de tornar pequeno o mensalão.
Por outro lado, este caudal de delações premiadas, sem dúvida, vai provocar um efeito dominó. Atingidos pela delação, não serão poucos os que ‘darão com a língua nos dentes’, evidentemente se o fato puder ser comprovado.
Muito poucos ficarão em pé. Ganhará o povo, que verá o rosto e saberá o nome dos envolvidos nesse mastodôntico esquema de corrupção.

Kenny
Assunto é batido para ser comentado pela imprensa. Mas, por dominante nas rodas de cafezinho e nas redes sociais na internet, volto à recente demissão do folclórico participante do ‘Sala de Redação’, tradicional programa do rádio gaúcho, jornalista Kenny Braga. De um episódio provocado por Cacalo, o maior prejudicado foi Kenny, vindo daí minha recorrência ao assunto.
Como ouvinte eventual do ‘Sala’, naquele dia não o ouvi, mas recebi da RBS um post com os minutos decisivos da xingação muito semelhante à de guri de rua e comadres (algo que tanto os guris como as comadres já não mais usam).

Kenny II
Deplorei a falta de respeito ao ouvinte. Não que nenhum deles tenha um dia ouvido igual, mas jamais no rádio em que o respeito é devido.
Também deplorei o uso de um peso para sopesar atitudes idênticas. Kenny foi para a rua, Paulo Sant’Ana para a geladeira, de onde deve retornar, e o ‘Sala’, que já não é mais o mesmo, perdeu ouvintes. Como é coisa decidida, não vale a pena escrever, aqui, ‘Volta, Kenny’. Mas posso reiterar que neste caso houve claramente injustiça.
Ou os dois ou nenhum!