Pedro Belmonte

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Ferrovias
Nas redes sociais, postagens pedindo retorno dos trens de passageiro.
Seria bom voltar a viajar por estradas de ferro.
Inexistem no RS e Brasil, sucateadas, senão reduzidas, comparadas com anos passados.
Nas décadas 1950/1960 entraram em operação as locomotivas a diesel modernizando o transporte de cargas e passageiros.
Surgiu o trem Minuano, Santo Ângelo-Porto Alegre, confortável e com serviço de bordo.

Ele, a maria-fumaça e as composições de cargas, privatizados, acabaram sumindo. Era a modificação da política de transportes. Saiu de cena a ferrovia, surgindo a rodovia.
Hoje, nem rodovias ou ferrovias servem convenientemente.
Governo deveria ter mantido e construído as duas, simultaneamente.
Para retomar o transporte sobre trilhos haverá muito a fazer!

Regulação
No âmago da pretendida regulação da mídia, existem pontos a refletir.
Já não haveria número suficiente de maneiras e legislação para regular a atuação de veículos e jornalistas?
Carta Constitucional é a maior delas!
Meios de comunicação, salvo exceções, cumprem seu papel de informar com isenção.
Maior problema é lidar com o poder em todas as esferas.
Criticar – mesmo com razão – não pode. Mas é livre elogiar.

Dos atingidos por eventuais críticas, poucos as recebem com naturalidade, oferecendo o contraditório. Geralmente o caminho mais curto é a retaliação, cancelando – quando há – propaganda no jornal, na rádio ou tevê. Conforme o humor do governante, além de suspender verbas persegue aos operadores de mídia.
Críticas não são recebidas democraticamente, inobstante as maneiras de reparação à mão a serem acionadas, inclusive judicialmente.
Ademais regular a imprensa, vale dizer a opinião, possui viés antidemocrático.

A cada vez maior utilização da internet e das redes sociais, que se autorregulam com réplica, tréplica, indefinidamente, é um salutar exemplo de democracia plena, verdadeira olimpíada de ideias, certas ou nem tanto, mas praticadas livremente.
No rádio, na TV, jornais ou revistas o que os regula é mudar de emissora, não lê-los, adquiri-los e nos casos atípicos, a justiça poderá ser acionada.
É a regulação democrática!

Política
Há precipitação nos comentários sobre diminuição pelo TSE do número de vagas a deputados no RS.
Somente vale às próximas eleições.
Ainda a considerar sua judicialização. Ninguém receberá a medida do Tribunal Eleitoral impassível.
Redução atinge assembleias e câmaras de vereadores. Gaúchos elegeriam três deputados a menos!

****Especialistas entendem que Reforma Política no capítulo financiamento de campanhas, está inumada.
Causou pena discurso do deputado Henrique Fontana, relator da reforma, tentando explicar derrota, dias atrás. E não somente dele, mas de todos envolvidos nessa batalha inglória por campanhas mais justas, que dinheiro não as desequilibre.

Como evitar que empreiteiros, bancos e demais investidores de campanhas deixem de injetar quantias absurdas em determinadas candidaturas? As obras, via-de-regra, acabam superfaturas numa recíproca ao rio de dinheiro que irriga as campanhas.
Nada é de graça.
É hora de o governo, da OAB, opinião pública serem chamados a participar.

Concessionárias
Devolução dos pedágios não saiu como esperado.
Na justiça ganharam as concessionárias, que permanecem nas sete praças pedagiadas até final do contrato.
Não fica nisso.
Para saírem, empresas condicionarão ao pagamento de cerca de 3 bilhões de reais, dívida não reconhecida pelo Executivo!

Kiko
Escolha do ator Carlos Villagrán, o Kiko do seriado Chaves, como Embaixador do RS na Copa, gerando polêmicas.
As justificativas do prefeito Fortunati não convenceram.
Também se discute a forma da escolha, partida de um pequeno comitê de pessoas.

Nem o sucesso do simpático personagem e a informação de não gerar custos ao erário, conseguiram diminuir as ácidas criticas. Entendem que outros tantos nascidos ou vivendo no RS poderiam ser também embaixadores do Estado, divulgando o torneio.
Que o filho de Dona Florinda possa levar o nome do RS além-fronteiras, mesmo passando por esse constrangimento!

Absolvição
Na quarta (10), se realizou o julgamento do coronel da reserva, Nilson Nobre Bueno.
Foi absolvido das acusações, quando Comandante Geral da BM.
Em uma delas teve prescrita a intenção punitiva do Estado.
“Foram 5 anos angustiantes. Na época atual está perigoso ser honesto”, me disse, ao telefone, satisfeito com o resultado.
Lembrou o que falou à ex-governadora Yeda Crusius na passagem do Comando: “Um dia a história, o tempo e a justiça, trarão a verdade. Foi o que aconteceu na sessão do Tribunal de Justiça Militar”.

Julgamento referendou sua honestidade no trato da coisa pública.
Militar disciplinador, por conta disso provocou alguns desafetos, rancores, em determinadas passagens da carreira.
Em Santo Ângelo no comando da 2ª SCI orientou a elaboração da Lei de Prevenção Contra Incêndio.
Anos mais tarde participou da criação e instalação do CRPO-Missões.
Como comandante geral tentou reestruturar a corporação. Não conseguiu.
Seus 36 anos de serviços beneficiaram à corporação e aos munícipios pelos quais passou.

Ser missioneiro
Nesta edição, depoimento do advogado, escritor, pesquisador e colunista, Oscar Pinto Jung. “Outro dia, o santo-angelense Ricardo Uhry publicou na rede social sua paixão por Curitiba, onde reside há muitos anos, como aposentado do Banco do Brasil.
Ponderei então a ele que, embora apaixonado pela capital paranaense (onde residem também meus filhos André Luís, juiz federal, e Alessandra, médica veterinária), não esquecesse suas raízes missioneiras.

Ser missioneiro, Belmonte, me parece ser algo como herdeiro de uma experiência ousada em termos de civilização que, infelizmente, não deu certo. Cada visita às ruínas de São Miguel das Missões renova o nosso orgulho (no bom sentido!) de ser missioneiro.
Os livros de Mário Simon, José Roberto de Oliveira, Dom Estanislau Kreutz, Amado Grisólia e Bazilisso Leite, para ficar só com autores locais, destacam a importância da experiência e relembram personagens que merecem ficar na memória de todos nós, para todo o sempre.”.

Reflexão de fim de semana
“Quem é perseguido, muitas vezes ainda consegue ir adiante, principalmente se estiver sendo perseguido de maneira injusta. Mas quem persegue não sai do lugar” (Chico Xavier).