Piratini

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Vitória de José Ivo Sartori por um percentual de votos avassalador (venceu em 95% dos municípios) demonstra, primeiramente, que o gaúcho continua renitente a reeleger seus governadores. Por outro lado, ratifica a vitória de alguém simples, sem ser simplório, com coragem suficiente de colocar outra vez à prova seus dotes de administrador, demonstrados em oito anos como prefeito de Caxias. Pegará um Estado endividado, de cofres raspados, um repto para pagar essas contas sem paralisá-lo.
Será um momento de austeridade que, aguarda-se, não se cinja a apenas isto, pois há problemas a ser atacados em todas as áreas.
Um facilitador à futura administração poderá ser a união de partidos no segundo turno, a ser mantida, senão ampliada, e um Parlamento não hostil, garantindo governabilidade.
Animador ouvir do eleito que pretende fazer um projeto de Estado, jamais de Poder, e a desautorização das especulações de nomes para o secretariado, que somente vai ocorrer depois de 15 de dezembro.
“Nome especulado pode ser nome ‘fritado’”, avisou.

Piratini II
Quanto à derrota de Tarso, não pode ser vista como pessoal e sim como a de um projeto por circunstâncias várias que certamente serão estudadas.
Em princípio, problemas pontuais derrotaram Tarso e o projeto petista. Todavia, nem seus críticos imaginavam que fosse de forma tão cáustica, com um diferencial de votos tão consistente.
Pode ser um bom momento para o partido rever conceitos, fazer uma demorada análise dos porquês da derrota mesmo apresentando nesta eleição um candidato potencialmente forte e portador de um currículo político, exibido por vezes até com certo acinte, nos debates e comícios.
Há quem diga ter perdido para o antipetismo.
Inegável é que o governador teve a pesar sobre ele as promessas não cumpridas, sem dúvida um dificultador e tanto aos que pleiteiam reeleição.

Youssef
Publicação de parte da reportagem feita por Veja em que o doleiro Alberto Youssef teria dito em depoimento amparado pela delação premiada que ‘o Planalto sabia de tudo’, acrescido da subpergunta (‘Quem do Planalto?’) e da resposta (‘Lula e Dilma’), caiu como uma bomba ao final da campanha. Como resposta, a revista teve a fachada do seu prédio pichada por pessoas indignadas com o que consideravam uma mentira.
O doleiro foi fundo e nesse depoimento ainda disse que o ex, a atual e a, agora, reeleita presidente não só conheciam, como também usavam o esquema de corrupção da Petrobras.

Youssef II
Na esteira da divulgação, a revista foi – além de pichada – censurada, alvo de ação judicial, mas cumpriu seu papel como órgão de imprensa livre.
Mesmo considerando-se favoravelmente ao Planalto que Veja foi imprudente, uma coisa derruba o argumento: não fosse naquele dia, mais tarde todos ficarão sabendo do teor bombástico das revelações do doleiro. Datas à parte, o que não muda é o teor das revelações de Alberto Youssef.
Em sua viagem inexorável até as salas do STF, uma vez lá, os depoimentos virão logo a público. A partir de então, com provas ora cobradas, se terá a certeza (não mais ilações) se as pessoas são ou não culpadas.

Youssef III
Nesse instante, a presidente, reeleita por estreita diferença, poderá demonstrar na prática que não tolera a corrupção e, em vez de obstar, deve deixar o curso dos depoimentos continuar, doa a quem doer.
Deve reconsiderar o que declarou no seu discurso e ponderar que ao fim destas eleições o País saiu dividido. Seu apelo de união e mudanças será facilitado se não interferir nas investigações que envolvem a escandalosa drenagem de dinheiro da Petrobras, melhorando os diversos setores negativos do seu primeiro governo, como a economia estagnada.
Enfim, espera-se que cumpra promessas de atacar as reformas, entre outras a política e tributária.

Incubadora
Dias atrás li sobre implantação de incubadora de empresas pela Universidade Regional Integrada (URI). Poderá começar a ocorrer o que tenho defendido como forma de o município voltar a pensar organizadamente.
Encravado numa região agrícola, poderá pensar mais à frente, fazendo com que as riquezas do campo sejam transformadas nele ou na região, contrariamente ao que ocorre hoje.
Com a incubadora, poderá haver diversificação de plantas industriais, tocadas pela inovação, incutindo a certeza de que tudo poderá melhorar aos que mirarem o futuro preparando-se para enfrentá-lo.

Incubadora II
Com esses novos tempos, virá a obrigação de os futuros gestores políticos elaborarem programas de governo priorizando investimento em qualificação e plantas industriais com ênfase na diversificação, mantendo o olhar no agronegócio.
Lamentável que cidades da região, cultivando de sol a sol, grãos e frutos os mandem, depois de colhidos, para fora, onde são transformados, deixando de se beneficiar da agregação de valor. Com essas práticas inovadoras, o êxodo de mentes brilhantes também poderá ser evitado.
A edição da lei 3.906, de incentivos tributários e não tributários à implantação de indústrias no município, pelo prefeito Valdir Andres, chega em bom momento.

Diuturnamente
“Vou lutar diuturna e noturnamente para que o crescimento no sentido de melhoria de vida pro brasileiro e pra sua família seja maior ainda”, prometeu a presidente reeleita, em sua primeira entrevista.
Pelo que entendi, queria dizer que trabalhará noite e dia nos quatro anos de governo para resolver os velhos e novos problemas da sua administração.

Decreto
Uma das tentativas de aparelhamento do Estado foi rejeitada pela Câmara dos Deputados nesta semana.
Decreto presidencial de número 8.243, que criava a Política Nacional de Participação Social (instituindo os Conselhos Populares), será substituído pelo Decreto Legislativo apresentado pela oposição.
Decreto anterior que claramente definia práticas bolivarianas, passando por cima do parlamento, invadindo prerrogativas do Congresso, foi aprovado em maio.
Rejeição é a primeira derrota de Dilma decretada pela antiga Câmara e antes de ser empossada. Ainda deve ser apreciado pelo Senado.