Retorno

0
128

Durante meu afastamento da coluna, dois acontecimentos mexeram com nossas emoções.

Um a tragédia da boate Kiss em Santa Maria, com passivo trágico de centenas de mortos e feridos.

Provavelmente, ainda que não devolva vidas, a catástrofe balizará futuramente a adoção de medidas de segurança especialmente os itens desobedecidos que detonaram a tragédia.

Certamente os mártires da boate – se a lição for assimilada e praticada – não terão sido intoxicados e calcinados em vão.

Espera-se, nada seja igual após a Kiss.

 

Renúncia

Outro tema foi a renúncia do Papa Bento XVI, recebida com estupefação.

Fora a surpresa de mais de 2 bilhões de católicos, deixa as incógnitas da escolha do sucessor. Será a vez de um latino-americano, um afrodescendente? Para alguns teólogos e vaticanólogos ainda não será desta vez. Mas…

Seu papado foi ortodoxo. A renitência pelo casamento entre gays, os escândalos envolvendo padres em pedofilia, seu secretário que revelou documentos secretos da Igreja e a crise financeira do Vaticano marcaram seus 8 anos.

Foi singularíssima, senão um gesto de grandeza, sua decisão, ausente da Santa Sé desde 1415, ano da última renúncia papal.

A expectativa é que seu sucessor seja mais liberal, progressista e insira a Igreja Católica nas mudanças exigidas pela velocidade estonteante da vida moderna, ultrapassando os muros do Vaticano.

O próprio Papa expressou esse desejo de avanço e modernismo ao sucessor.

 

Missioneiros

A partir desta edição depoimentos enfocando um tema: ‘o que é ser missioneiro?’

É um estado de alma, um ideal, uma civilização? As respostas serão dadas em depoimentos como o do advogado, político e estudioso, Silvano Adroaldo Nascimento Saragoso.

“Quem eram os Missioneiros”? – questiona nosso convidado – respondendo que “obviamente, esta referência estava ligada ao povo reduzido. Os jesuítas (missionários) reuniam até 5 mil índios e formavam uma Redução. Esta organização era chamada de o Povo de São Miguel, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga, São Borja etc. Estes eram os missioneiros. Gente, índios e brancos, não faziam parte das reduções, e sequer eram, facilmente, recebidos dentro dos limites da redução.

Para tal, havia as Casas de Passagem, onde se oferecia toda a hospitalidade para os que chegassem de fora, os nãos missioneiros”.

 

Missionário

“Missioneiro, portanto, era aquele que, reduzido, fazia parte da Missão. Os demais podiam ser tudo, menos missioneiros.

A Missão foi formada e vivenciou um tipo de sociedade, cujos ideais e valores, nos rendeu o título de O TRIUNFO DA HUMANIDADE, dito por Voltaire e Montesquieu, pensadores da França, inspiradores da Revolução Francesa.

Então, defendo a tese de que: o verdadeiro missioneiro é aquele que tem compromissos anímicos, firmados com aqueles princípios praticados e vividos nas Missões.

O fato de ter nascido na atual região missioneira, é muito pouco para que alguém se intitule um MISSIONEIRO. Todo o missioneiro de verdade tem a missão de viver e lutar pelos ideais e valores da sociedade guaranytica.

É um missionário”.

 

Carnaval

Festas momescas serviram de motivação a que o presidente do Congresso, Renan Calheiros e sua mulher se mandassem a Gramado.

Senador, cujo desagrado nacional é imenso, passou uns dias num SPA luxuoso com itens de conforto como lençóis de linho egípcio, debochando de todos que desejam vê-lo longe do Congresso, da vida pública e julgado pelas denúncias que o levaram a renunciar em 2007, fugindo do impeachment.

Ojeriza à Renan está exposta na petição eletrônica, na Internet com quase 2 milhões de assinaturas, pedindo que seja julgado e renuncie à presidência do Senado e do Congresso.

 

Impeachment

Setores da base aliada não desistem de vingarem-se do procurador geral, por conta do mensalão. Ouvem-se pedidos de substituição de Roberto Gurgel.

Essa ânsia de realizá-la passa pela mesa da presidente Dilma Rousseff. Aí se pergunta: ela cederá às pressões, substituirá Gurgel?

Há quem pense que se a chefe do Executivo ceder, comprometerá sua credibilidade politica.

Ademais, tem problemas reais e urgentes para resolver, como a alta da inflação, o PIB minguado, a redução da produção e do lucro da Petrobras e garantir, não apenas subindo o valor do Bolsa Família, mas com ações, o fim da pobreza extrema dos brasileiros.

 

Idealistas e oportunistas

“Triste Fim de Policarpo Quaresma”, escrito por Lima Barreto, em 1915, no bojo do pré-modernismo da literatura brasileira, renova-se a cada episódio da nossa política.

Há muito sua leitura me socorre ao cotejar o passado próximo e o presente de alguns agentes da política-partidária nacional.

O personagem, arquétipo de um lutador intimorato, nacionalista acendrado e idealista singular, dedicou sua vida a tentar tornar o Brasil moderno, justo e feliz. Até mesmo uma minirreforma agrária povoou sua cabeça, levando-o a pensar repartir suas terras, pretensão barrada pela irmã.

Admirador do presidente, marechal Floriano Peixoto, nem isso – e talvez por isso – impediu de ser caluniado por conhecidos e desconhecidos, encastelados em postos de comando da incipiente República. Acabou preso, acusado de traidor e executado.

 

Memorial

Morreu solteiro, amando o Brasil, sem tempo para amar uma mulher e constituir família. Nutria amor secreto e platônico pela afilhada, Olga, por quem era correspondido e a única a ler seu ‘Memorial para Salvar o Brasil’.

Misto de idealista, nacionalista, visionário, major da Guarda Nacional, ruralista e alquimista, teve suas batalhas por um país melhor, derrotadas por incompreensões e traições.
Lima Barreto, 98 anos atrás, com Policarpo Quaresma, demonstrou que ontem como hoje oportunistas estão ao lado do Poder; que o aliado de hoje será o adversário do dia seguinte. Ingênuo, serviu de escada para outros menos preparados e com propósitos nada nobres.

O escritor e seu rico personagem prenunciaram acontecimentos fadados à recorrência na vida política da Nação!

 

Reflexão de fim de semana

“Não somos seres humanos que têm uma experiência espiritual. Somos seres espirituais que têm uma experiência humana” (Teilhard de Chardin).