Retorno

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Nesta primeira coluna de 2015, abraço ao deputado Eduardo Debacco Loureiro, que terminou um ano e começou outro trabalhando.
Atirou-se à luta, desde a campanha ao fim das apurações, passando pela diplomação, até a posse.
Ocupa lugar deixado vago por seu pai, ex-deputado estadual, hoje no TCE, Adroaldo Mousquer Loureiro, como representante do município e da região.

Retorno II
Por sua força de trabalho, Santo Ângelo e demais cidades que confiaram nele estão de parabéns.
Suas visitas às bases, o acolhimento aos pleitos, a porta aberta de seu gabinete na Capital, tudo isso projeta quatro anos de estreito relacionamento do parlamentar com seus eleitores.
Insistentemente convidado pelo governador Sartori a ocupar uma secretaria, preferiu representar o município e a região no Parlamento gaúcho.

Dissensão
PMDB santo-angelense não vive bom momento.
Episódio de indicação do titular da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde escancarou as alas. Num momento em que recupera o governo do RS (e talvez por isto), as dissensões internas ganham as ruas, revelando insatisfação e mágoas.
Para peemedebistas de cuca fresca, a unidade do PMDB santo-angelense deve ser tentada, em nome dos quatro anos pela frente, que passam por uma eleição municipal.

Câmara-Executivo
Desgaste desnecessário entre Câmara e Executivo santo-angelenses, desde a tentativa da Mesa Diretora de aprovar aumento do número de CCs. Polêmico projeto foi devolvido a pedido da Câmara de Vereadores. Enquanto escrevo, não se sabe se volta ou não a discussão. O prefeito, ao receber, vetará ou devolverá à Câmara?
Por último, diz-se, alguns vereadores prometem ‘dificultar o andamento’ de projetos, dilatando prazo de apreciação e votação. Pode ser outro tiro no pé, como o projeto dos CCs.
Com as delongas propositais, perde a população.

Sartori
Início de governo de José Ivo Sartori com problemas. Maior deles a falta de caixa, resultado da gastança fenomenal do governo passado. Sem poder usar o caixa único, os depósitos judiciais, tampouco fazer empréstimos, o momento é difícil. Por isso, governador decretou 180 dias de freio puxado.
Mas há ações positivas, como se adiantar ao Cpers, visitar sua sede, abrindo o diálogo.
Sartori ainda enfrenta críticas da chamada grande imprensa em casos pontuais. Uma delas, usar helicóptero para deslocamentos.

Sartori II
Não sei se usou corretamente a aeronave para ir à abertura da colheita do arroz. Mas sei que Dilma, certa vez, usou helicóptero para visitar familiares em Porto Alegre. Há má vontade de setores da imprensa com o governador.
Será por causa do decreto que proibiu por 180 dias novos contratos, prorrogação ou renovação de publicidade com grandes jornais?

Quem-é-quem
Afinal, quem é golpista? Os que pedem impeachment de Dilma, os que pediram o impeachment de FHC, de Collor, ou os que a defendem e criam formas jurídicas para tirar o poder de julgamento do juiz federal Sergio Moro?
Estranha a forma atrabiliária como o ministro da Justiça se reuniu com empreiteiros, avisando que a operação Lava-Jato tomaria novos rumos após o Carnaval. Eduardo Cardozo visava desestimular envolvidos que desejavam se valer da delação premiada.
Instrução Normativa da CGU observa que acordos de leniência podem ser feitos diretamente com a GU, sem passar pelo Judiciário, longe da mesa do juiz Moro. Se o governo nada deve, por que a Instrução Normativa?

Mau humor
Já critiquei excesso de maldades nas novelas, sobrando pouco aos mocinhos. Agora, a Globo inseriu na grade o humorístico ‘Tá no Ar’. Como o humorismo da TV brasileira está devagar, esperava que ‘Tá no Ar’ viesse oxigenar o setor, criticando a própria programação e os anúncios de TV, apesar de Marcius Melhem e Marcelo Adnet.
Quando Melhem se arvorou crítico da escravidão, com ‘Escravas Bahia, servidão total a vocês’ – alusão à Casas Bahia –, passou dos limites. Embora possa ser invocada a liberdade de expressão, mesmo num programa de humor áspero, não pegou bem. Ainda que a intenção tenha sido denunciar a forma como a TV trata os negros, considero piada racista.

Ludus
Na última visita a Santo Ângelo, reencontrei o professor Benedito Felix. Morador há anos na cidade, ajudou a forjar caracteres na sua missão de educador. É irmão de Sebastião e Vitor Felix, no início da vida professores como ele. Fui aluno dos dois, em São Borja. Sebastião lecionava Latim e Português. Mais tarde, se formou em Direito e seguiu carreira no Ministério Público.
O latim, língua morta, constava do extenso currículo dos quatro anos de ginásio. ‘Vai ajudá-los a melhor entenderem o português. Será útil no futuro’, asseverava Sebastião Felix, com uma barra de giz numa mão e um Ludus noutra, naqueles anos distantes. Difícil era fazer análises, mas era exatamente aí que aprendíamos o português.
As declinações, os verbos, as frases que preenchiam as páginas dos Ludus (um por série) eram colocadas quase goela abaixo pelo professor Sebastião.

Diversas
*****Relacionamento entre governo e PDT tende a melhorar com indicação de Vinicius Ribeiro à presidência da Corag e Kalil Sehbe para diretor do Banrisul. Flavio Lammel será aproveitado em cargo no Executivo.
*****Cheguei a levar fé em Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, quando deixou passar a CPI da Petrobras. Mas, a seguir, brecou três: fundos de pensão, BNDES e setor elétrico.
*****Condenados do mensalão gozando liberdade. Relator no STF, ministro Luís Roberto Barroso, ordenou que o ex-deputado João Paulo Cunha cumpra os anos de condenação em casa e pague R$ 536.440,55 desviados dos cofres públicos.