Retorno

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Depois de meses, prazerosamente retomo este espaço do Jornal das Missões. Durante o período afastado, me dediquei à redação e produção de meu próximo livro, Crônica do Tempo II. Seu conteúdo consta de  novos artigos, crônicas do cotidiano e breves biografias dos  personagens que lhe deram vida, ao longo de minhas atividades em rádio e jornal, na cidade, região, Capital e Grande Porto Alegre.

Retorno II
Um exemplar de cada edição do livro, jornais locais e do RS, daquele dia, serão  colocados numa urna a ser  enterrada durante  cerimônia no Centro Histórico e desenterrada em 25 anos. A urna e o  local da inumação estão sendo providenciados pela assessoria do prefeito Valdir Andres, conforme tratamos em  visita ao Paço Municipal.

Retorno III
Meu retorno à coluna ocorre  num momento de incertezas na política e economia brasileira, por conta do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ápice será no domingo, quando a Câmara votara se ele prossegue ou não. Enquanto escrevo prevê-se que existem 90% de possibilidades de o processo passar. Seguir-se-ão novos procedimentos, ate aterrissar na mesa dos senadores.

Retorno IV
Ali, destino de Dilma será traçado. Visivelmente acabrunhada, ela aguarda o resultado já projetando seu futuro. Tem dito a imprensa e a seus interlocutores mais próximos que se ganhar proporá um pacto a Nação. Se perder, se considerará ‘carta fora do baralho’ da política brasileira.  Aguardemos.

Cidadão honorário
Nesta reestreia devo registrar, com muita honra, que nos próximos  dias estarei participando de Sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Santo Ângelo, para receber meu Título de Cidadão Santo-angelense. A honraria me foi concedida, unanimemente,  pela colenda Câmara Municipal, proposta pelo vereador, médico Paulo Azeredo. Estamos acertando um dia para receber essa honrosa titulação. Outorga me desvanece, mas me traz mais responsabilidades. Será preciso que redobre meu trabalho em beneficio do município e da sua gente, o que faço desde o começo dos anos 1960.

Eduardo
Impressionante o vigor físico e a mobilidade do deputado missioneiro, Eduardo Loureiro. Presente em todos os momentos dinâmicos da cidade e região, além da presença física, fundamental  a um parlamentar, mantem sempre lotado seu Gabinete na Capital. Além disso, está atento aos principais anseios das comunidades que lhe garantiram espetacular votação. Afora a elaboração de projetos de interesse da sua área, também tem representado a região, em ocasiões cívico-culturais-empresariais, como  nesta semana, ao acompanhar autoridades e soberanas e  encaminhar convite ao governador Sartori para visitar a V Expofeira,  de 28 de abril a 1º maio, em São Miguel.

Perdas
Nessas últimas semanas, Santo Ângelo perdeu muitas personagens que deixaram um rastro luminoso em segmentos da vida comunitária.
Perdeu o grande missioneiro, ex-prefeito, ex-deputado, que ocupava uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE), Conselheiro Adroaldo Mousquer Loureiro, moço ainda, aos 67 anos.
Recentemente faleceu, em Porto Alegre,  Osmar Boldrini de Oliveira, o Durox. Como Loureiro, foi daqueles que deixaram saudade. Nos anos vividos em Santo Ângelo se dedicou a empreendimentos ligados ao lazer, especialmente a vida noturna da cidade.

Perdas II
Na metade dos anos 1970, instalou na Zona Norte, junto  ao extinto cinema Belvedere, na Marechal Floriano, a Boate Belvê.
Com o sucesso inaugurou a Belvê II, em São Luiz Gonzaga.
Alguns anos mais tarde se transferiu a Porto Alegre continuando no mesmo tipo de comércio.
Com ele, além de uma amizade duradoura, dividi episódio marcante.

Perdas III
 No meio dos anos 1960, trabalhando na rádio Santo Ângelo, quis testar sua audiência.
Foi numa manhã de domingo. Disse ao operador que iria medir nossa audiência matinal. Dito e feito. Contei aos ouvintes que vindo de transmissão noturna, em um dos clubes da cidade, me dirigi à emissora sem tempo de tomar café. Apelei a quem me pudesse ‘socorrer’ com um café, para espantar o sono.

Perdas IV
Rapidamente começaram a chegar à emissora, na Avenida Brasil, térmicas de café com leite, pasteis e outras iguarias.  O primeiro a chegar foi Durox com uma bandeja de sanduíches, pasteis e uma jarra de café com leite, enviados por seus pais, os  amigos Anair Boldrini de Oliveira e Dirceu Passos de Oliveira, na época ecônomos do Clube Gaúcho e ouvintes fiéis. Matei a fome e testei a audiência da Rádio Santo Ângelo.

Tiradentes
Próxima quinta-feira, 21, assinalará o 324º ano da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
No livro ‘1789’, lançado dois anos atrás, o jornalista Pedro Doria publica tramas,  discursos,  articulações,  sonhos, interrogatórios e  julgamento dos lideres do mais trágico movimento pela nossa independência.

Tiradentes II
“Um homem grisalho, barbeado, generoso, corajoso, apaixonado, inconsequente, ególatra, beberrão, verborrágico, ressentido, subiu derrotado os mais de 20 degraus à forca e pediu três vezes ao carrasco que lhe fosse breve. Tinha os olhos fixos num crucifixo. É quase impossível imagina-lo lá, inúmeras sensações, ideias e receios cruzavam seu corpo e sua mente” – descreve Doria, sobre Tiradentes, no cadafalso.

Tiradentes III
Com outros  companheiros, inspirados na Independência dos Estados Unidos, em 1776,  protagonizaram a Inconfidência Mineira, na pretensão de eliminar a dominação portuguesa. Nenhum movimento, nesses 324 anos da Inconfidência Mineira,  reuniu mentes tão brilhantes, se bem que tenha terminado de maneira simbólica, com um mártir enforcado e esquartejado.