Faça-se a luz!

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Por tratar-se de uma história real, recebi e estou dividindo com vocês, sem qualquer alteração no texto. Por não ter identificação do autor original mantive a grafia, por isso peço desculpas caso haja algum erro escondido… Leiam com carinho!

Um dia um menino de três anos estava na oficina do pai, vendo-o fazer arreios e selas. (…) Tentando imitá-lo, tomou um instrumento pontudo e começou a bater numa tira de couro. O instrumento escapou da pequena mão atingindo-lhe o olho esquerdo. Tempos depois uma infecção atingiu também o olho direito e o menino ficou totalmente cego. Com o passar dos anos embora se esforçasse as imagens foram gradualmente desaparecendo e ele não se lembrava mais das cores. (…) Ia para a escola e todos se admiravam da sua memória, mas ele não estava feliz com seus estudos. Queria ler livros. Escrever cartas, como os seus colegas. (…) Aos dez anos, Louis chegou a Paris, levado pelo pai e se matriculou no Instituto Nacional para crianças cegas. (…) Os estudantes sentiam pelo tato, as formas das letras e aprendiam as palavras e frases. Logo o jovem Louis descobriu que era um método limitado. As letras eram muito grandes e uma história curta enchia muitas páginas. O processo de leitura era muito demorado e a impressão de tais volumes era muito cara. Em pouco tempo o menino tinha lido tudo que havia na biblioteca. (…) Como adorava música, tornou-se estudante de piano e violoncelo. O amor à música aguçou seu desejo pela leitura, queria ler também notas musicais, por isso passava noites acordado pensando em como resolver o problema.

(…) Certa feita ouvira falar de um Capitão do Exército que tinha desenvolvido um método para ler mensagens no escuro. A escrita noturna consistia em conjuntos de pontos e traços em relevo no papel. Os soldados podiam, correndo os dedos sobre os códigos, ler sem precisar de luz. Ora, se os soldados podiam, os cegos também podiam, pensou o garoto e então procurou o Capitão Charles Barbier que lhe mostrou como funcionava o método, fazendo uma série de furinhos numa folha de papel.

(…) Noite após noite e dia após dia, Louis trabalhou no sistema de Charles Barbier, fazendo adaptações e aperfeiçoando-o. (…) Os donos do Instituto tinham gasto uma fortuna na impressão dos livros com as letras em relevo e não queriam que tudo fosse por água abaixo, mas com persistência Louis Braille foi mostrando o seu método. Os meninos do Instituto se interessavam e a noite, às escondidas, iam ao seu quarto para aprender. Aos 20 anos de idade, Louis chegara a um alfabeto legível com combinações variadas de um a seis pontos, num sistema que permitia também ler e escrever música. Finalmente o método Braille estava pronto.

(…) Semanas antes de morrer, no leito do hospital, Louis disse a um amigo: “Tenho certeza de que minha missão na Terra terminou.” Dois dias depois de completar 43 anos, o francês Louis Braille faleceu (1809-1852). Nos anos seguintes à sua morte, o método se espalhou por vários países. Finalmente, fora aceito como o método oficial de leitura e escrita para aqueles que não enxergam e os livros puderam fazer parte da vida dos cegos. Tudo graças a um menino imerso em trevas, que dedicou sua vida a fazer luz para enriquecer a sua e a vida de todos os que se encontram privados da visão física!