Quase no fundo do poço

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Recorro ao texto que escrevi em fevereiro de 2011 intitulado “Dinheiro, poder, oportunidade e nós dois” para citar novamente Ricardo Darín, (1957-), ator argentino da melhor safra que o nosso querido país hermano poderia nos brindar, quando afirmava em entrevista ao Jornal Clarín: “Os verdadeiros filhos da p… não pensam que o são e isso permite que sejam tóxicos e daninhos. Por questão de sobrevivência encontram uma maneira de se levantarem a cada manhã. Não se autoflagelam dizendo sou mau e devo morrer!” Eis que recentemente o fenomenal Ricardo Darín “foi retalhado” pela grande rainha, ops digo melhor, a senhora presidenta argentina Cristina Kirchner, após tecer comentários ao seu digamos assim… jeitinho kirchner de governar!

Acredito que qualquer um que tenha visitado a Argentina nesses últimos anos após a ascensão da família Kirchner ao poder sentiu o impacto da decadência se avizinhando. Zero Hora do último domingo (24.02.13) trouxe extensa reportagem com textos de Nilson Mariano e fotos de Fernando Gomes sob os títulos “Bronca”, “Um País na Montanha Russa”, ”Controle de preço, controle de tudo”, “Esperteza ofusca brilho da elegância” e “Ela não quer largar o cetro”, além de entrevista extremamente elucidativa com o médico e escritor Marcos Aguinis (autor de “O Atroz Encanto de ser Argentino”), onde ele afirma: (…) “…não significa que tenhamos chegado ao fundo do poço. Estou preocupado. Parte de nós, inclusive está assustada. Este governo vai deixar para o próximo, uma carga muito pesada.” (…) “…a presidente Kirchner está levando o país à ruína para ser a rainha.” (Se lhe caiu nas mãos à edição dominical de ZH, leia na íntegra o caderno especial onde se encontra esta excelente reportagem. Ou acompanhe em outras fontes.) Mas por que motivo você deve estar se perguntando, a decadência e queda do poder aquisitivo, levando parte dos castelhanos a miserabilidade me interessa? Basicamente é a história assombrando a América Latina. Repetindo erros da Venezuela com seu general agora moribundo, da Bolívia com seu índigena se achando sabichão, do Equador com o mais novo ditador de plantão, até mesmo do querido Paraguai outrora com seu ex-bispo metido a garanhão, que dia após dia foram enterrando vivos seus cidadãos, minando suas nações, se autodestruindo, comprometendo o futuro de várias e várias gerações até que enfim possam sair do fundo do poço.

Não basta vivermos imersos num regime democrático, mas desfrutarmos desse regime em sua plenitude, com a imprensa livre que é uma das maiores conquistas “dessa plenitude.” (O que não é o caso da Argentina onde a rainha tenta calar todos os que se opõem a sua desastrosa governança.) Pois eis que nas últimas semanas o ex-presidente Lula já desencadeou nova campanha presidencial, afirmando que Dilma Rousseff concorrerá. Marina Silva, ex-senadora, busca consolidar seu partido recém criado, entrando no páreo. Eduardo Campos, governador de Pernambuco, não esconde mais suas pretensões futuras. E o também ex-presidente Fernando Henrique busca alavancar o atual senador mineiro Aécio Neves rumo ao Planalto. Mesmo se engalfinhando nos bastidores, cuspindo fartas uns nos outros, todos reconhecem as coisas boas, os acertos dos governos anteriores: leia-se o período Lula e o período FHC. E baixam o cacete nas ruins, obviamente porque “perco o amigo, mas não perco a piada!” Mas sintamo-nos realizados, eis aqui a nossa democracia! (Ah sim e você deve estar se perguntando por que escolhi fotos da Angelina Jolie travestida de Malévola (o novo filme da Disney sobre bruxas) para ilustrar o texto? “Don’t Cry For Me, Argentina!” Em solidariedade aos hermanos argentinos… o que parecia um acerto tornou-se um pesadelo… mas ainda há tempo de revertê-lo… Quase no fundo do poço… é hora da ação e da reação! É isso!