Sobre Renúncias de Artur da Távola

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Eu sei que você já sabe que a proposta do Windows 8 foi simpática: recriar uma interface gráfica comum a tablets, desktops e notebooks altamente criativa e cheia de recursos. Bonito e sedutor até que dá para concordar “cento por cento” mas no dia a dia é que são os outros 500!. Nada fácil de se adaptar, softwares digamos assim “meio que” incompatíveis… e se a internet está lentinha… Jesus… livrai-nos de todo mal amém! Conselho de quem vai voltar correndo para os braços do Windows 7 e provavelmente não mais o abandonará tão cedo: não se deixem seduzir por vídeos promocionais ou preços convidativos prometendo verdadeiros milagres… na realidade se é que eles acontecem é somente nos sonhos de quem criou essa versão!

Como estou numa lan house, sentindo saudades do meu “amado notebook” que voltará para casa daqui 2 dias “agarradito ao Windows 7,” vou partilhar com vocês um texto de Paulo Alberto Mortzsohn Monteiro de Barros ou mais precisamente Artur da Távola, (1936-2008), advogado, jornalista, escritor (com mais de 20 livros publicados e um apaixonado estudioso de música clássica) também político carioca e um dos fundadores do PSDB, apesar de ter iniciado a carreira no antigo PTN, pelos idos de 60 e ter sido cassado durante a ditadura militar. O título é “Renúncias.”

Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for. O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento. A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial. A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas muito parecido; é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.

Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue vitórias legítimas. Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no ato (renúncia da onipotência e das formas possessivas de viver). Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar. Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude, etc. (…) É tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride é agredido. Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.