A difícil missão de entender

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No fio da história se constatam os entrechoques da civilização, o Império Romano, as virtudes gregas e depois, no demais, os povos bárbaros, aos olhos de gregos e romanos, ou todos bárbaros, exceto eles, romanos! Seguindo alguns escritores, a historicidade retratada nos compêndios, seja ou não retratada com a desejada fidelidade.

Tomando por bússola as questões ligadas a Sulamérica, os movimentos nativos e a colonização europeia, sob a batuta de interesses diversos, desde as coroas às instituições religiosas, se abriram tal os leques, entremeados ainda da detestável escravidão então vigorante pelo mundo afora, essa, entretanto, ainda perdura!
Passados os quinhentos anos da chegada dos peninsulares e outros, no limbo dos interesses comerciais, hoje algumas comunidades se apresentam com pujança, onde os imigrantes, embora ludibriados, lograram sobreviver ante o abandono das autoridades de então, além do descumprimento das promessas, tanto dos negociadores daquelas gentes, no antigo continente, quanto das autoridades locais.

Desconhecem em especial, que os seduzidos à embarcar nas frágeis naus da época, para enfrentar os mares bravios, tiveram que deixar para os países mães, no mínimo, até trinta por cento dos valores representativos de seus parcos patrimônios. Persuadidos, imaginaram que as promessas de antanho seriam honrados no local de destino, quando a bem da verdade, a realidade fora totalmente diversa. Ocorre, aqueles que conseguiram derrotar as feras, a fome, a doença e a desgraça, prosperaram, enquanto milhares morreram nas travessias, engolidos por animais selvagens, por enfermidades ou abatidos pelos nativos que se sentiam invadidos em suas propriedades, além da total falta estrutura na saúde e pelo abandono.

Aqueles que conseguiram prosperar, quanto ao excedente da produção, se viam totalmente frágeis diante dos comerciantes, diante do aviltamento do preço dos produtos. Mas resistiram heroicamente, desbravaram, rasgaram solos, sementearam e tiveram celeiros fartos.

Naqueles idos, os governantes locais se utilizavam dos comerciadores de gentes, estes, recrutavam-os nos países (Estados) de origem, transmutando-os à America, sob mil promessas. A mesma “sorte” tiveram os afrodescendentes, aprisionados por negociadores de gentes, eram vendidos aos escravagistas, pelo mundo afora, inclusive no Brasil.
Retornando o olhar aos tempos de dantes, nem os afros, por igual, os imigrantes de outras pigmentações mereceram bom trato, respeito ou dignidade no final destino, em especial, no Brasil. Hoje, os governantes estão estabelecendo a desigualdade entre os descendentes daquelas épocas.

Todavia, choca e humilha nosso imaginário, saber-se da fome e da miséria ainda reinante, onde milhares de criancinhas (em especial), mendigam um prato de comida, enquanto na mídia se veem alaridos da morte da fome, em nosso país.

De outra banda, totalmente diverso dos imigrantes de outrora, hoje os governantes abriram as porteiras para milhares e milhares de pessoas, para as quais, já gastaram milhões de reais em transportes, alimentação, mas as criancinhas brasileiras, inclusive aqui em Santo Ângelo, necessitam de um prato de comida.

Alguns alegam que há necessidade de mão de obra, contudo, estamos abarrotados de irmãos nas casas prisionais, muitos destes poderiam se sustentar, exercendo uma atividade profissional, autossustentando-se. Aquele que descuida dos seus, para, se oferecer aos holofotes do mundo, merece holofote! Sim, todos são seres humanos, inclusive as nossas crianças.