A Primavera versus outras “estações”

0
168

Ela sempre chega no dia estabelecido pelos leitores planetários – 23 de setembro –, ainda que alguns tenham noticiado que neste ano ela se achegaria no dia 22! Contudo, as informações mais precisas denotam realmente ser no dia 23, talvez alguém mostre o contrário. Porém, essa estação conhecida no Hemisfério Sul por primavera austral, traz consigo cá no País a denominação de estação das flores. Logo, um espetáculo de cores por todos os recantos onde ainda seja permitida a manifestação da natureza.

Contudo essa protuberância ambiental serve de contraponto na conduta das gentes em todos os setores da sociedade. Basta olhar uma árvore e lá jubila uma flor, um símbolo de liberdade expressado com extraordinária beleza. De outra via, na simples aparição de um ser humano na via pública, quantos olhares se cravam nas vestes, no jeito de andar, na carranca, no sorriso, no jeito de rir, até nesse ínterim os humanos são julgadores e julgados. Ainda bem que as flores estejam livres dos conceitos de seus pares naturais, porquanto, dá severidade do homem não conseguem se libertar!

Ao abrir a janela do rancho se vê a roseira se ofertando em pétalas, num enlace de sublimidade com jasmins, margaridas, adálias e cravos à brilha ou desbrilhar, segundo a luz ou a cegueira do visualizador. Cada variedade de plantas se oferece em espetáculo na exata proporção da espécie, talvez, retrate exatamente os seres vivos em seus atos reflexos, entretanto, a felicidade das plantas em seus sorrisos breves ou mais prolongados, sopesados, pode nos induzir a um comparativo aos atos dos humanos, quando esses fortalecem ou apequenam a democracia, ainda que insinuem atitudes libertárias, soterram a adjetivação, esmaecendo não só a cor, mas também a robustez democrática, quando se albergam o direito apropriativo de coisas coletivas, num permissivo dedutível do triste fim ou “holocausto libertário”! Aliás, repugnado por impostores.

Ao brilho do luar e sob a imponência do sereno, as flores de determinadas plantas exibem a vibração embrionária de seus coloridos, em noturnos embelezares, o radiantes desses sorrisos, deleites nus aos transeuntes e até das mariposas de todos os matizes vislumbrantes até mesmo no crepúsculo. Pois as primaveras do nu cenário contracenam com as primaveras d’outras semânticas, projetando cores díspares sobre as mesmas flores, desprovendo-as dos coloridos originais, induzindo os aliciados sem luz, a ver margaridas nas camélias, ao ponto desses assegurar com veemência: figueiras produzindo cabras.

A primavera austral se encontrava sequiosa em expressar o seu ápice no exato momento da agonia da sua irmã gêmea, porém, ouviu badalos de sinos de outras catedrais, logo, anda perplexa, com a incerteza da sua real localização, seu imaginário anda carregado de indagações, ainda seria austral ou já estaria boreal! As estações pensam em suas vestes, querem fazer charminho, soltar fragrâncias, aromas múltiplos, para tanto, necessitam de ares específicos, com o fito de saudar o prelúdio com vestes contemporâneas de seu habitat com o seu especial brilho!

A primavera das primaveras rumina esperanças, dadivosa de flores, salpica emoções, por sua orquestra, entoa as milongas mais delongadas, saudando todas as constelações de flores, para oferecer um romance nostálgico, nas tonalidades dos remotos e as púrpuras d’outrora das estações.