A Vida Antes Da Parafernália Eletrônica

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No latifúndio do oco, carcomido pelo tempo, na longitude espraiada sobre os dorsos montanhosos, espaços dormidos pela ansiedade etérea de saudar o desconhecido e nos vastos verticais, soerguidos em direção ao infinito, sem limites, nos deslimites limitados da expansão, na antevisão do passado e pós-visão do presente, impõem-se argumentos robustos, em peso chumbo, contrabalançando nas vitrines dos olhos bisavoengos, armazenados nas vitrines dos olhos destes, soterrados nas quintas dos remotos! Nesse interim, ergue-se uma voz tonante: como era a vida antes dos smartphones!?

Olhos movidos lentamente na direção da interlocutora! Estava ela, jovial, altiva, sorriso imenso, olhar esperançoso, resoluta no questionar, interrogativa, mas de belo semblante, sonhadora, uma exemplar feminina resoluta, contudo, embora os qualitativos sem reparos, impressionou pela sua busca voraz do saber, enlaçada no tempo, seus mistérios, nuances, faces antigas, na memória do espaço, estendido no longevo!

Trazia na face, a infância rural, vertente faceira de quem corre os campos, lançando travessuras campesinas, dormidos idos, deitados no largo esperançoso das andanças sobre as flechilhas, conviventes daqueles tempos de retorcidos açudes, regados pelas lágrimas daqueles que se ausentaram dos rincões dos pirilampos. Dir-te-ei moça, de arpejos pós-juvenis, antes das parafernálias eletrônicas, seus bisavós navegaram naus transatlânticas, sonhando um dia avistar algum paraíso! Desembarcados, acordaram diante de gigantes matas, distantes do sonhado!

Machados cortando matas, a fome rondando as casas, animais ferozes a lhes amedrontar, quando não, saboreando algum familiar. De médicos, somente benzeduras! Remédios! Escolas? Hospitais? Comércio? Cidades? Meios de locomoção!? Simplesmente, nada! Apenas as choupanas, de próprio tecer! Alimentos? Frutas das matas, caça nativa, pesca e fome!!! Nestes recôndidos, nasceram as bisas e avoengas histórias, estórias e lendas. Um smartphone, escrito num papiro, para ser enviado à velha Europa, quando outra nau aportasse no fim do inverno, levando-a, onde se encontravam seus ancestrais, perduraria, seis meses para chegar ao destino.

As mais remotas comunicações ocorreram através da telepatia, ainda, através dos chasqueiros; envios via rios/mares, por intermédio de garrafas. Surge, o radio, com o Padre Landel de Moura, a telegrafia, o fone, tv, e depois, os smart’s. Ah, como era a vida? buenacha, feliz, sem pressa, sem poluição eletrônica. Nas escolinhas interioranas, os professores ensinando a tomar o lápis, escrever, ler, respeitar. Naqueles idos, mocita, a figura do professor significa autoridade. Aos pais jamais se retrucava, eram respeitados. Mas as crianças eram felizes, brincavam no barro, nas sanguinhas, havia tropas de osso e sabugo, bruxinhas de pano pra meninas, bodoques pros meninos, carrinhos de lomba, arminhas de taquara, por munição, frutinhas de cinamomo.

Outro dia, mocinha, ouvi alguém falar, que o passado foi relapso com o presente! Podes crer, a parafernália do presente, deitará um tenebroso legado ao futuro! Aí sim, verás, quão relapso está presente, quanto ao futuro! Guarde isso na memória!

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