As consequências da estiagem

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A estiagem que assola a região missioneira deixa marcas profundas. O impressionante é que fora dessa área geográfica, pouco, muito pouco, quase nada afetou. Até parece que a região do segundo ciclo missioneiro tem sobre ela um grande castigo. Basta lançar os olhos sobre o passado e se verá que de quando em quando, se abate uma seca que abala as estruturas da economia agropecuária. Os efeitos de última estiagem estavam sendo absorvidos e o homem rural estava recuperando a capacidade de investir e novamente a “praga” o arrebata!

A questão climática é de fácil explicação para os homens que lidam com a meteorologia. Em poucos minutos eles explicam toda a situação e ainda deixam o ouvinte convicto de que a razão está ao lado deles. Embora as previsões dos meteorologistas na maior parte são precisas e incontestes, pois, raras vezes, o clima desmente a leitura procedida pelos institutos afins, ainda que seja mais sazonal, é possível observar pequenas sensações de “desnível” nas previsões, por isso, altamente compreensível. As contribuições dos institutos são da mais alta valia, para coletividade. Já é possível se organizar e programar até mesmo em atividade de média duração, com base nos instrumentos.

É bem verdade que a super safra colhida em dois mil e onze, em parte contrariou as previsões, mas os resultados foram extremamente favoráveis o que deixou todos nós felizes, mas a última safra de verão “rasgou o ventre do produtor” e as marcas serão sentidas ao longo de todo o ano de 2012, quiçá, além dele. Veja o (a) leitor (a) que a questão é profunda. Os campos rapados. O solo seco. O bolso vazio. Os gados magros. A vida segue. Segundo o meteorologista Cléo Kuhn, em exposição feita na televisão a cerca de dois meses, somente teremos a regularidade climática a partir de agosto. Se confirmado, a safra de inverno está comprometida.

Seguindo nessa esteira teremos mais quatro meses com falta de chuvas. O olhar lançado ao longe, não visualiza no além montes, os problemas que se acentuam. Está semeada uma grande desesperança. Em solo sem umidade é inviável lançar sementes. Tratar toda a criação com ração torna o processo inviável para os pequenos produtores. E a água para essa mesma criação? A chuva que cai de quando em vez, reverdeja os campos, mas não lhe oferece regularidade para se recuperar definitivamente.

As contas dos produtores vão ficar dependuradas nos cabides dos armazéns, dos bolichos. Os investimentos nos arquivos das cooperativas, dos bancos, das multinacionais e de outros credores. A situação vai além safra de inverno e por certo, a regularização dos débitos virá em duas ou três safras regulares. As consequências atingem o conjunto econômico da região. O homem do campo necessita de muita persistência, garra e esperança para manter a sua atividade. Dele, necessitamos todos. É fundamental a existência do pequeno produtor, é dele que vem a base alimentar da região.

O grande produtor possui uma estrutura totalmente diferente e a sua sobrevivência não está comprometida, ele subsistirá aos percalços de uma, duas ou três safras, embora seu baque seja multiplicadas vezes superior ao dos pequenos. Por outro lado, afetará os municípios que possuem sua fonte de receita na produção agrícola vão passar por grande diminuição na receita, exceto aqueles em que os celeiros ainda estavam abalroados de cereais das colheitas anteriores. Quando se chega a esse estágio, se pode comemorar a autosuficiência do empreendedor rural e a certeza de que a economia se encontra sólida. Desconhecemos o percentual de produtores nesse estágio, mas que altamente positivo saber que muitíssimos empreendedores atingiram esse estágio.