Beira de Rio

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Seguia meu rumo – sem rumo – rumando em descompasso, mas passo a passo. Num repente, brumas! Brumas? Elas são filhas do sereno, é a humidade condensada, vapor. Com a visão prejudicada, seguia no trote do parceiro dos arreios, saudando a mãe natureza, conversando com os invisíveis, enquanto no nascente o rei Sol se elevava em busca do topo, formando um cenário espetacular, em todas as direções. Olhar pro nascente, que encanto! O Sol, sobre as brumas deitando imagens impressionantes. No sentido do poente, rara beleza, para Norte e Sul, somente maravilhas.

Genialidades! Genialidades da mãe natureza… e diante das concessões do Arquiteto Celeste, ao constituir o Universo. Sobre o lombo do meu flete e com o esplendor da luz da realeza, o derredor se enriquecia mais e mais, aguçando o imaginário, sobremaneira. Tantas vezes percorrera a região de automóvel, apressadamente, talvez, por isso, jamais havia percebido tanta beleza e encantos reais e verdadeiros, deitados na geografia sem minha percepção, tão próximos, tão presentes, tão autênticos. Condenar-me pelo descaso, de nada valia.

Seguia conversando, desta feita, com meu pingo e disse-lhe pra andar com mais vagar, causa-me desgosto encurtar as rédeas, amigo que é amigo, evite causar judiaria, ainda mais, de um parceiro igual a ele, sempre disposto a me conduzir, por mais íngreme que seja o caminho. Levemente encurtei as rédeas, soltando-as em seguida e ele prontamente levantou bem a cabeça, abrandou as passadas e com ares de quem achou graça, relinchou como se fosse o próprio monarca das coxilhas. Garboso, também deu em apreciar as campinas verdejantes!

No topo de um elevado, avistamos uma ribanceira onde as brumas ainda se debruçavam, na certa, no fundo do despenhadeiro havia um córrego, riacho se rio não houvesse! Degustando a vegetação em festa, igual ao saborear de um churrasco suculento, algo raro em tempos de aspereza, ali estava o próprio colírio para os olhos, uma cachoeira em êxtase, num rio de águas cristalinas, cílios grandes protegendo as barrancas, um deleite, uma espécie de santuário, rumando na direção do Prata, algo espetacular.

Na beira do rio, desencilhei o zaino, dei de beber, das águas do rio, ao qual chamamos – meu pingo e eu – de Precioso. Maneado, soltei o parceiro no vasto pasto, faceiro, tornou a relinchar, em poucos minutos arranjou companhia. Armei acampamento, no dorso do rio Precioso, o fogo de chão ardeu em minutos, cambona no braseiro, mate topetudo, sabiás cantando, peixes saboreando pitangas, arribada de garças, serelepes em travessuras. Apreciei o conjunto da obra, o Precioso, todo o entorno, julguei: ninguém possui fortuna maior! Decidi então, partilhar com o leitar, essa imensa riqueza!

 

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