Cartas

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A carta que Papai Noel jamais receberá, contém papel amarelado, sem uma letra sequer, mas rasurada de impressões digitais invisíveis a olho nu. A criança que a enviou desconhece o significado de carta, cartão postal, nem presente de Natal! A cartinha singela foi depositada na esperança vã da criancinha, ela, tão dócil, meiga, tão infantil, tão serena, inocente, afável, olhar vivo, porém, triste, habitando um palácio de remendos, no vasto infinito das favelas adornadas de contornos de dor, fortemente protegidas de interesses pouco esclarecidos!

Essa criaturinha esmaecida em si, compadece-se do seu mundo, andarilha ao pé da inquietude, move-se em todas as direções, sem avistar outros horizontes, seu mundo, sua vida, reduzida naquele espaço piqueteado, sem ter sentido as fragrâncias da angelitude, próprios da infância, capazes de dota-la de sonhos. Quiçá, nesse reduto se tornará infeliz vítima dos indesejados vilipêndios, contrários aos ensejados prescritos em alguns dogmas da humanidade, estranhamente desconhecidos de si e seus olhos pontiagudos, noutro norte, nunca pousarão!

Histórias tantas transportadas ao mundo das estórias, por desfalecidas vontades de sanar-se os problemas vitais do mundo, ruindo infâncias, colhendo mocidades, desesperançando adultos, ceifando vidas e sonhos, sonhos e vidas, instituindo as desigualdades assustadoras, ainda que impossível a igualdade, porém, desejável uma redução do distanciamento dos extremos, extremados dolorosos, ímpios impiedosos, desníveis gigantescos, embora isso, semeados por mentes “adredemente qualificadas,” louvando-se da disparidade, para assentar interesses obscuros.

Cartinhas infinitas lançadas ao vento tomaram o caminho do contragosto, relegando infâncias, mocidades e quaisquer idades, ao santuário dos engodos, no compasso do silêncio multidões marcham desejosas de desejos, caminhantes do obscurantismo no mundo onde o Sol e a Lua trafegam com naturalidade, distribuindo seus pruridos e benesses sobre o Planeta, desimportando-se da equidade, por ser essa, missão de cada ser, em utilizar-se do necessário ao consumo individual, permitindo ao semelhante, proceder no mesmo intento.

Olhos luzidios perfuram o manto infinito, no sentido de avistar a cor da esperança, nas asas do amanhã, contemplando o pedido contido nas cartinhas inescritas e multicoloridas em fé, sonando canções de altivez, quando os pedidos estiverem sendo atendidos, por invisíveis papais noeis, sem cor, sem sacos vermelhos, sem sinos, blimblons, nem vestes vermelhas, adentrando no espaço aéreo do imaginário, trazendo a mensagem Divina, próprias a amainar os sentimentos indormidos dos pequeninos, sempre postos a imaginar, no permissivo da faculdade de esperançar! Cartas…

 

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