Conclave

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Uma fumacinha esbranquiçada nos chaminés secretos do Acampamento da Poesia anunciou, às estrelas cintilantes nos confins do infinito, a figura real do primeiro patrono do Acampamento poético, a qual recaíra sobre a pessoa de Mário Simon, quiçá fora esse o nome mais apropriado. Haveria outro, senão o seu idealizador? Embora o respeito aos demais indicados, alguns com extraordinários serviços prestados ao longo de 13 anos, Mário Simon efetivamente mereceu e merece o reconhecimento e o “título” de primeiro (poderia ser eterno) patrono do Acampamento. Mário Simon talvez seja avesso às lisonjas, contudo, o reconhecimento se constitui em justo e merecido.

Envolto às profundezas da palavra silêncios, se desenvolveu o 13º Acampamento da Poesia, junto ao Parque das Fontes, e, ao que tudo indica, as fontes estavam robustecidas de inspiração poética, transmutando o grupo de produtores culturais em arcanjos da escrita sob o manancial delas. No viés dos caminhos percorridos em 13 anos, restaram semeados 12 livros e o produto deste encontro sairá da gráfica de Antonio Sepp em São João Batista, em abril de 2015, durante as comemorações de aniversário do município de Entre-Ijuís, melhor seria, de São João Batista, em nosso humilde olhar!

A chuva foi um dos elementos naturais que acompanharam o desenvolvimento das atividades, mas em nada prejudicou, até porque a chuva é uma benesse. Os silêncios retumbaram na voz serena dos deuses da natureza, igualzito ao broto de uma taquaruçu que se fez robusto entre as coivaras, especialmente para o momento, ao ponto de amamentar a imaginação do mestre Artur Hamerski, diante da imponência, embora tenra.

Uma caminhada poética e a visita à Lagoa da Mortandade, além do entrelaçamento com a buena gente de Eugênio de Castro, junto ao CTG Ronda do Rio Grande, sob a proteção do chapéu maior do casal Augusto Reis, abriu-se em risos a porteira daquela entidade para recepcionar os visitantes vindos de Pato Branco, Porto Alegre, Santa Maria, Rio Grande, Livramento, Rivera e outros das circunvizinhanças missioneiras. Ainda, uma brilhante aula sobre poema e poesia, na batuta da doutora Edinara Leão, silenciando até mesmo as rãs do manancial.

Voltar às origens, reencontrar-se, se encontrar, lançar olhares, divagar, causar espécie, tornar hilário o ambiente, dissecar assuntos, projetar eventos, metaforizar, ouvir, saber ouvir, triturar jamais, amansar-se por meio dos vocábulos, entre outras conjecturações. O evento esteve sob a coordenação das professoras Dinalva Souza e Terezinha Angst. Outra vez foi altamente valioso e proveitoso, promovido pela Secretaria de Educação de Entre-Ijuís, Parque das Fontes e Academia Santo-angelense de Letras.