Da crítica exacerbada aos instrumentos de aferição

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Havia dias se ouvem críticas às medidas tomadas pelos órgãos de repreensão para determinadas transgressões. Películas, ingestão de bebida alcoólica, entre outras. Ocorre que somente damos valor para algumas medidas, quando nós ou alguém dos nossos se torna vítima em evento fatídico. No caso das películas, a falta visibilidade para os agentes de segurança deixa margem aos agentes do mal se abrigarem por detrás de uma película. No caso do latrocínio em Ijuí isso restou evidente. Por outro lado, aos agentes do mal, um carro sem película, permite que eles identifiquem e classifiquem suas vítimas com facilidade. São os contrapontos. Difícil é encontrar um meio termo adequado.

Quanto às questões das bebidas, também há argumentos para quem, ao assumir o comando decidiu eleger prioridades. Certamente entendeu o novo comandante e ele está em evidência, que as medidas adotadas então previstas na legislação, logo, legais. O que não se pode conceber que alguém fique vigiando um local e depois, interceptar, aí extrapola. Todavia, talvez não extrapolasse, estivéssemos nós, livres de assaltos, furtos, sequestros, roubos, entre tantos outros delitos cometidos no cotidiano e que exigem de contingente policial, para o combate.

Por outro lado, há que se ter em mente ainda, que milhares de condutores de veículos dirigem sob o efeito de drogas “legais” e ilegais e para esse tipo de ilícito, aparentemente, ainda não existe aparelho para aferir o quantum de substância entorpecente que o sujeito traz no sangue. Até aonde ela é nociva. Aliás, quantos são os acidentes que ocorrem diuturnamente, fruto do consumo inadequado dessas substâncias? Naquele acidente ocorrido próximo à região serrana e que vitimou jornalistas, após exame sangue, ficou comprovado o uso de drogas, álcool não!

Nem mesmo os dirigentes dos órgãos de trânsito se preocupam com o “aferímetro” dos percentuais de drogas no sangue de motorista, logo, há duas medidas para o mesmo peso: acidente de trânsito. Em primeiro momento, nos acidentes, se busca responsabilizar aquele que em tese seria o maior causador de acidentes. Pode até ser verdadeiro, no entanto, enquanto mantiverem a fiscalização somente sobre um item, podem estar ocorrendo enormes injustiças. Quando os agentes os agentes receberão os aparelhos?

Aliás, a sociedade brasileira, em especial, todos aqueles ligados à área da medicina e da própria segurança, deveriam reagir urgentemente, mas duvido que se contraponham à tentativa de alguns parlamentares, no sentido de liberar o consumo parcial de drogas no país. Ora, quando estamos diante da ação policial, para restringir a direção veicular após a ingestão de bebida com teor alcoólico, ação totalmente legal, por via de consequência, aplicando multas, apreendendo CNHs, recolhendo cidadãos aos presídios, condenando-os judicialmente, para se ver no amanhã, tornar legal o uso de entorpecentes e sair dirigindo, quiçá, atribuir a culpa aos consumidores de derivados de álcool! Durma com um barulho desses, quem puder. Dizem que a democracia tem preço!

Outro assunto que chega aos ares semanalmente, quando não, diariamente, são aquelas emanadas de um grande órgão da imprensa do Rio Grande, onde um cidadão insinua que os dirigentes de casas de saúde ignoram decisões judiciais. Convenhamos, em primeiro plano, tenta ele, menosprezar o judiciário! Em segundo, joga a população contra os administradores hospitalares, dando a impressão de que esses desconhecem das decisões judiciais. É de ver-se que nenhum magistrado, em suas decisões, extrapola o bom senso. Ele sabe bem que uma determinação de remoção de um paciente para alocar outro, pode custar a vida do removido. Os reflexos disso podem recair sobre si mesmo. Jogar gravetos no fogo é combustão para a fogueira.