Democracia: uma utopia

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Segundo alguns manuscritos, os filósofos gregos foram os precursores na tentativa de implantar uma sistemática que atendesse as necessidades das gentes, quando havia uma relevante subdivisão das classes sociais. A preocupação parte exatamente de pensadores – filósofos, portanto, à época, destacados cidadãos no conjunto social. Significa arguir, que se tratava de pessoas bem postas, quanto ao nível sócio/cultural, todavia, com os olhos voltados ao humanismo.

Clístenes, ao governar Atenas a mais de meio milhar de anos A.C., implantou um sistema que entendia justo. Fora uma forma representativa semelhante a atual. Sócrates, em tempos bem posteriores foi vítima da própria democracia que tanto difundira e, partiria dele uma frase bem “sugestiva” – “chegou a hora de separar-me de vós e de irmos, eu a morrer e vós a viver. Quem leva a melhor parte? Vós ou eu?” isso, antes de beber a cicuta. No Tribunal que condenou Sócrates, estava Platão! E agora? Nesse mesmo sentido, falara Getúlio Dornelles Vargas, todavia, em outras palavras! Quem estava no Tribunal de Getúlio?

Por sua vez, os renomados filósofos Platão e Aristóteles, acreditavam eles que o Estado, para cumprir a função essencial de garantir a paz, a justiça e o bem-estar para todos, necessário seria, dispor de um governo sábio e justo (queriam demaaaais). Entendiam – o bom governo depende da virtude de bons governantes e as massas, devem ser dirigidas por homens que se distinguem pelo saber, sendo levados assim a conceber um governo de sofocracia, um governo de sábios. Ocorre, que Platão desiludiu-se completamente, vindo, a dedicar-se exclusivamente a filosofia.

Por sua vez, Sólon, considerado o pai da democracia grega e integrante da lista dos sete sábios de todos os tempos gregos, lutou arduamente pelo estabelecimento de fundamentos que entendia democráticos, teorizou os seus conhecimentos, contudo, na visão de diversos historiadores, também ele decepcionou os extremos, pois, na visão dos ricos, teria aprofundado e inovado demais, enquanto na dos pobres, restaria a inconformidade diante dos insuficientes avanços. Em razão disso, o sábio não satisfizera nem a gregos e nem a troianos.

Enquanto isso, Karl Marx e Engel, essencialmente democráticos na origem das teorias, sonhavam com meia dúzia de teses, contemplando: o sufrágio universal; igualdade dos distritos eleitorais; a supressão do censo exigido dos candidatos ao Parlamento; eleições anuais; voto secreto; remuneração dos membros do Parlamento. Veja o leitor, essas máximas estão em prática no mundo inteiro, exceto, nos países que seguem a cartilha socialista/comunista, tida por marxista, conquanto, no auge da maturidade, ambos, diante do sistema empregado na antiga URSS e alguns seguidores, negaram peremptoriamente ser os autores da exegese empregada.

A pretensão da igualdade econômica se constitui num símbolo de incoerência e infantilidade, pois, na origem, somos todos seres iguais, independente das particularidades que nos acompanham. Sonhar é belo, valioso, oportuno, aliás, necessário, contudo, em se imaginar que promovendo uma partilha do capital, todos permaneçamos financeiramente no mesmo patamar, é a mais infantil das utopias. A uma, porque possuímos habilidades distintas; a duas, porque somos desiguais na busca da prosperidade.

Nesta senda, a democracia horizontaliza uma utopia, porém, cabe atribuí-la as maiorias ou minorias! E quem constitui as minorias e as maiorias? A minoria ou maioria deve ser medida na proporção populacional, motivacional, objetivos, metas, interesses, trabalho? A simples denominação de minoria é perigosíssima, por vezes, tal aglomerado se constitui na grande maioria, entretanto, a falsa impressão transmitida pelos captadores de votos nos impõe uma ilusória anomalia.

Uma lição para eternizar – o mais ferrenho socialista/comunista se transmuta no mais ortodoxo capitalista! Defendem a democracia! Algum deles prega o autoritarismo!?