E as Falas de Vozes Caladas

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Talvez, quem sabe, o mais terrível adversário de qualquer ser humano seja o silêncio! Enquanto há pessoas convivendo de forma fraterna, amorosa, humanizada, prazerosa, regada a carinhos, nos moldes dos pássaros na entrada da primavera (pássaros também se debate, disputam entre si), constroem seus ninhos em conjugação de esforços, depois alimentam os filhotes de forma responsável e compartilhada, ensinam a voar, para tanto, retiram dos ninhos, estimulam na procura de alimentos, seguem pras aguadas, demonstram a forma dos banhos, ainda, onde se abrigar para os pousos, além de instrui-los na autodefesa!

Os mais falantes se defrontam com o silêncio de forma desesperadora! Incrível a nossa (humanos) a facilidade de nos digladiarmos, para alguns, basta um olhar meio de esguelha que está posto o motivo para um contenda, até mesmo acirrada, sem medir as consequências, por óbvio, hodiernamente, a incidência esteja bem amena, daquelas registradas num passado recente, embora pudéssemos exigir muito mais de nós mesmos, considerando os milhares de anos que a raça se plantou nesse planeta, para alguns, esse seria um laboratório humano, do qual se partirá para um estágio superior. Verdade? Sabe-se lá! E se for…?

Haveria razões de se aplacar o silêncio em qualquer circunstância! Dezenas, quem sabe, centenas de razões desfilam diante de nós, no sentido de evitar uma contenda, por mais amena que possa parecer, alguns sustentam em diálogos acirrados, na outra mão, mais acautelados, contudo, no cotidiano, as vozes se erguem no diapasão do senhorio da palavra, verdade e razão, levando por diante e atropelando um contendor, dialogador, um oponente, um contracenante em motivos singelos ou profundos. A autovalorização deixou, deixa e deixará marcas indeléveis na caminhado do ser!

Nas relações interpessoais a impessoalidade merece silêncio! Em brutos tempos e os atuais são brutíssimos, a sutileza deve ser evidenciada a cada passo, momento, lugar, com gentes de todas as vozes e contingências, evitando, com essas atitudes, até mesmo um monólogo, porque o interlocutor de si, pode sentir-se ofendido e no exato momento do defrontamento bélico, e põe bélico nisso, a bomba atômica pode ser acionada por um desavisado, se avisado não e se faz de desentendido, louvando atrocidades, por momentos de brandura, onde somente o rústico ganha enlevo.

Em todos os tempos, nenhuma voz é mais falante, atuante, imponente, artisticamente plantada, senhorilmente aplacante, doutrinariamente posta, psicologicamente correta, filosoficamente aceita, do que as falas das vozes caladas. Essas esvaem os argumentos contrários, esvaziam atores, eliminam argumentos, retiram o arsenal belicoso, inviabilizando a deflagração de um incêndio, prudentemente, desarmar a si, amortecendo dessa forma o contraditório, dê-se voz ao silêncio, por astuto e argumentativo! Deixe-o fluir a orquestra, fazendo ecoar a estridente clarineta – na fala das vozes caladas!

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