Eflúvios pras almas

0
121

Dos lauréis que colhemos pelos caminhos, uns de azedo sabor, outros de doces fragrâncias, feito as pitangas, misturados entre si, resulta um sabor moderado, de agradável paladar. Antecedendo ao 10º Festival de Inverno da Confraria Recanto do Sabiá, até a natureza conspirou lançando um frio de fazer oratório. A neve cobrira os campos Brasil sulinos, o rigor machucou os desprovidos, enquanto isso, outros salpicaram os gelos, extravasando no frio. O calendário se fez autoridade e o dia chegou em alvíssaras – lindo e todo enfeitado de azul! O firmamento dançava no embalo dos tinidos dos violões, enquanto as almas “voajeiras” se deslocavam ao Recanto, em melodias de arpejos.

O tema emblemático – frio da alma –, lançou seus desafios e leituras tantas são permitidas na vastidão da flexibilidade do termo. Digo: Sinto frio na alma com a fome do semelhante! Gela a minha alma, ao ver meninos desprotegidos do frio! Sinto calafrios na alma, pela desgraça que nos ronda! Crava um frio na alma, quando o desprezo faz voz! A humilhação e a desfaçatez causam frio na alma!

O maior frio do mundo / não gela a alma dos poetas / sequer os afugenta dum entrevero de cordas / nem lhes tira o belo riso / quando a acordeona chora / pois todo costeiro adora / sentir o minuano cortando / porque sabe que calor humano / ao vento maleva vai domando. Na Confraria foi assim / numa conspiração de espíritos / desde o começo até fim / o calor se sobrepôs ao frio / vieram de perto e até dos confins / bela festa na margem do rio / cantaram até os querubins!

Ao longo dos anos, os momentos ternos aconteceram sempre com arte, magia e muita destreza artística, além da força telúrica dos versos e a inebriante melodia, contudo, desta feita, algo diz que superou aos momentos anteriores. Isso alcança uma força incontida aos confrades, no sentido de também se superar na organização e estruturação da Confraria, visando ofertar aos poetas, algo diferente, algo contagiante, uma vibração extra. Parece, essa máxima, se deu com os pequenos da – Orquestra Missioneira de Cordas –, acendeu uma nova chama e avivou ainda mais o braseiro musical. Foi maravilhoso!

Mencionar um por um dos participantes fica inviabilizado, entretanto, gargalhar com todos se torna possível e estender a gratidão, ante os eflúvios com os quais os artistas nos brindaram!
Todavia, os nossos apoiadores, por igual, merecem destaque e dentre eles: Sicredi União RS, Lojas Farroupilha, Casa do Fumo, Erva Mate Santiago, Lojas Becker Ltda – P40, Cartório Lago Pinto, Fruteira São Luiz, Danilo Show, Nico Missões, Jair, Gil e Adilson (cozinheiros), Jairo Ferreira, impecável no cerimonial e na apresentação e outros tantos anônimos! Registro ainda a atuação despachada dos confrades.

Aos dirigentes, professores e artistas da Orquestra Missioneira de Cordas acarinhamos a alma, diante do belíssimo show. No mesmo sentido, abraçamos toda a imprensa de Santo Ângelo e Entre-Ijuís, quer falada, escrita, televisada e eletrônica, por levarem aos ares o nosso 10º Festival de Inverno Recanto do Sabiá. Sensibilizados, agradecemos.