Ficou fácil comentar até mesmo impactar

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Ao longo dos tempos, epidemias, imprudências, negligências, imperícias e tragédias ocorrem causando dissabores de toda a monta. As epidemias são previsíveis, mesmo assim, até o presente momento, aos cientistas fica difícil detectar o ponto exato onde possam se manifestar e em qual intensidade venham a ocorrer, exceto, prevenir no que condiz aos locais apropriados para proliferação. Nesse caso, recomendam determinadas medidas, nem sempre adotadas por quem de direito.

As imprudências ocorrem a todo o momento e em todos os lugares: é imprudente o ciclista que trafega seu veículo sobre a calçada, local destinado aos pedestres, por exemplo. Negligencia o cidadão, a autoridade, o responsável por determinado setor, quando deixa de tomar uma medida que lhe cabia e da qual pode restar um acidente, em caso específico. A imperícia não é exclusividade do mau motorista. Ao administrador público cabe o vigiar permanente.

Todavia, as tragédias feito aquela que feriu os sentimentos da humanidade no último final de semana, já de longa data eram anunciadas. Havia pouco tempo, houvera um foco em local semelhante e a imprensa noticiou isso, exaustivamente, o cercear da saída do local, diante do detalhe do pagamento. Isso não é ficção, ocorreu não faz muito, no solo brasileiro. Desconhecemos o labirinto onde o fato ocorreu, mas poderia ter ocorrido em tantos outros locais. É impensável, inimaginável, sequer aceitável atribuir aos proprietários a vontade em produzir o evento sinistro. Essa máxima é repugnável. Ainda que o fato ocorreu!

As manifestações brotam livres de todas as mentes e as línguas fazem verter palavras e essas depois de disparadas não podem ser recolhidas. A dor, o sentimento e o sofrimento autorizam o desabafo! E nessas horas tudo verte, tudo se abre ao debate, embora muitas perguntas ficarão sem resposta. Ouvimos “sábias” palavras de autoridades, agentes ligados aos setores afins, especialistas e/ou “especialistas” cada qual com seus argumentos. Agora é fácil comentar. É óbvio que ocorrerão atitudes drásticas, algumas prudentes, outras somente de efeito impactante. Aliás, isso já dito!

Jazem tantas esperanças, tantos sorrisos, tantas pétalas por desabrochar! Vínculos cortados tão drasticamente! Corações esfacelados. Vidas cortadas. Famílias enlutadas para todo o sempre. Em nome delas se cometerão incoerências e a falta de atitude de muitos será escondida. Jamais aparecerão na tela da verdade.

Quando repomos nosso imaginário em serviço constatamos que medidas anti-acústicas eram exigidos exaustivamente, visando não poluir o ambiente externo. Resta saber, se ao adotar tais medidas houve também a prudência com o ambiente interno, onde, certamente, os decibéis extrapolavam aos limites do permissivo. Mas e o ar disponível nos espaços com proteção acústica era renovável? Sabe-se lá quantos restaram intoxicados, por qualquer substância. Sem falar em ato adrede! Ser prudente e não negligenciar numa providência, sem causar dano noutra é um ato de perícia! Um perito fora consultado?

De outra parte, se estivéssemos em um país onde as pessoas e entidades são tratadas de forma igualitária, haveria motivo de espanto, porém, estamos no Brasil onde as coisas são totalmente diversas, aí não há motivo para celeumas. A lei está posta para todos, indistintamente, mas as entidades e as pessoas são tratadas distintamente. Aquele que já administrou algo sabe bem compreender!

Logo, de que vale baixar o porrete na educação pública e nos professores que lá atuam, se é nos exemplos cotidianos e em especial, na “razão” dos pais e nos atos das autoridades constituídas que se moldam os filhos. Talvez alguém venha dizer: foi ato da providência Divina!

Além dos jovens vitimados no evento sinistro, Mara Regina Rösler também partir. Ela, sonhadora e realizadora! Professora, administradora, escritora e integrante da Asle, também ficará na saudade.