Fluídos do 12º Acampamento da Poesia

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Houvesse apenas carrancas ou sorrisos, a vida andaria normalmente? Sem sombra de dúvidas! Os pigmentos das pessoas teriam as conotações daí decorrentes. Da mesma seiva experimentaríamos, não houvesse os palhaços, comediantes, animadores e a ausência de escritores, poetas e ilustradores paisagísticos, fotógrafos. Contudo vivemos uma realidade diversa e nela inseridos os grupos mencionados, associados a outro ainda maior, resultando num complexo cenário, com atividades múltiplas. Ótimo, seja assim!

Os fluídos do 12º Acampamento da Poesia ainda aromatizam os rincões missioneiros e em especial, entre os rios Ijuí-Guaçu e Ijuí-Mirim, no Entre-ijuís (Parque das Fontes e Recanto do Sabiá), palco das atividades desenvolvidas entre 25/27, últimos, quando outra vez, um grupo de poetas incontidos nas ânsias de explodir sentimentos, se reuniu para charlar essas emoções e dizer ao mundo, o quão lindas são as pedras, a importância das minhocas, o conteúdo dos vazios, a inoperância das leis, a irrelevância das fortunas na hora das partidas, a sensibilidade das flores, a vida dos troncos secos, a luz ou o opaco contido nos olhos dos passantes, secundado por outro rol, inominado.

Dar voz aos poetas é o simbolismo do Acampamento. Essa é uma exigência, tanto deles, quanto da organização. E eles se espraiam, se esbaldam, se agitam, se avivam, se agigantam, se alastram, se deleitam! O alarido que verte daquelas vozes, ora tão familiares entre si, aliás, determinadas presenças ou ausências se equivalem aos dos filhos à mesa. Os laços se tornaram familiares, são intimistas, afetuosos, fraternos, semelhante aos modernos conceitos do interrelacionamento humano. Momentos ternos com elãs eternos. O Acampamento possui um condão dadivoso e lírico para os poetas, qual, a poesia no poema.

As onze edições do livro Afluências (produto do Acampamento), rasgaram caminhos e se fizeram presença em muitas regiões, embora tivesse um condão inicial local, andou com os seus próprios pés, ultrapassando os limites do Entre-Ijuís/RS, se alastrando para outros rincões. Atravessou o Brasil, chegando à Bahia, foi ao Maranhão, fez enlace entre culturas regionais, interligaram-se os Haicais, trazendo até o sotaque nordestino, intensificando as ligações gaúcho/paranaense, fez a Capital dos guapos viriam aos interiores, se mesclou com os litorâneos, enquanto a depressão central subiriam ao planalto entrelaçando mensagens, unindo as missões em si mesmas, da capital dos poetas Sul-rio-grandenses intervieram gentes, enquanto da região rizícula chegariam astutos construtores de versos, mesclando poéticas imagens! Antes, poetizas argentinas, ora, habladora uruguaia! É o Acampamento, feliz ideia de Mário Simon!

Os sentimentos expressados irromperam feito avalanches, lançados se parecem às lavas dos vulcões, levando tudo de roldão. As nascentes profícuas frutificaram profundamente, lapidando pessoas e construindo poetas! Agregando afins, sedimentaram ideais, irmanando – humanizaram –, mas em especial, conduzindo pessoas às bibliotecas oportunizaram a construção do conhecimento. Metas essas, ora mandamentos, fórmulas sensíveis induzindo ao crescimento individual. Louvem-se os livros, louvem-se os leitores! O Acampamento esteve sob a coordenação da presidente da Academia Santo-angelense de Letras, Dinalva Souza. Com Louvor!

Na foto um momento de – até breve!